1919-1959: Portugal

1919, 2 de novembro: nasce em Lisboa Jorge Cândido de Sena, filho único de Augusto Raposo de Sena, comandante da Marinha Mercante, natural de Ponta Delgada (Ilha de S. Miguel, Açores), e de Maria da Luz Telles Grilo, natural da Covilhã.

1922 Com três anos de idade, começa a ler.

1923 Escreve as primeiras letras num bilhete para o pai.

1926 Entra para o Colégio Vasco da Gama (Lisboa), que frequenta até o 3º ano liceal.

1929 Inicia o estudo de piano, que se estende por cerca de seis anos.

1932 Transfere-se para o Liceu de Camões, onde será aluno de Rômulo de Carvalho (o poeta António Gedeão).

1933 O pai sofre um acidente a bordo que o leva à amputação de uma perna, sendo obrigado a retirar-se da Companhia Nacional de Navegação depois de mais de 40 anos de serviço, e a família passa a viver da parca mensalidade que lhe é concedida.

1935 Férias de verão na Figueira da Foz, em casa de seu tio Jaime Teles Grilo.

1936 Com 16 anos, conclui o Liceu (julho) e faz os preparatórios (outubro) para a Escola Naval, na Escola Politécnica (Faculdade de Ciências). Sob o impacto de ouvir “La Cathédrale Engloutie”, de Debussy, inicia a sua carreira de poeta. A 11 de junho, escreve “Desengano”, o seu poema mais antigo de que há registro. Escreve a narrativa histórica, inacabada, “Século XII (D. Fuas Roupinho)”.

1937 A 7 de setembro escreve o conto “Paraíso Perdido” (Génesis). A 15 de setembro, ingressa na Escola Naval com as mais altas classificações. Como Chefe do “Curso do Condestável” embarca a 1º de outubro para a viagem de instrução e adaptação no navio-escola “Sagres”, que dura até fevereiro de 1938. Visita Cabo Verde, Brasil (Santos e São Paulo), Angola (Lobito e Luanda), São Tomé, Senegal (Dakar) e Canárias (La Luz, Grã-Canária) – lugares assinalados em sua obra.

1938 A 14 de março é excluído da Marinha de Guerra. De 28 de março até ao fim do ano escreve 256 poemas e, no ano seguinte, 168. Começa a transcrever a sua produção literária para uns cadernos escolares com o título de “Obras”, dividida em “Volumes”. Em abril, escreve o conto “Caim” (Génesis). Em maio, escreve a comédia em 1 ato, Luto. Em junho, começa o romance inacabado A personagem total, cuja escrita só foi suspensa em 1940. Verão na Figueira da Foz. Em setembro, compõe um lied inspirado no poema “Pobre velha música”, de Fernando Pessoa. Em outubro, inicia os preparatórios para Engenharia Civil na Faculdade de Ciências de Lisboa, onde conhece José Blanc de Portugal, de quem será grande amigo.

1939 Sob o pseudônimo Teles de Abreu, estreia no “quinzenário universitário” Movimento, com o poema “Nevoeiro” (no n°1, de março) e o ensaio “Em prol da poesia chamada moderna” (no n° 2), graças a José Blanc de Portugal.

1940 Colabora no último número da presença, com uma carta sobre o poema “Apostilha”, de Fernando Pessoa. Conhece Adolfo Casais Monteiro, que se tornará seu grande amigo e compadre. Participa nas reuniões do grupo fundador (Tomaz Kim, Ruy Cinatti, José Blanc de Portugal) dos Cadernos de Poesia, onde colabora, ainda sob pseudônimo, no fascículo 2, vindo a organizar o fascículo 5. Inicia o curso de Engenharia Civil na Faculdade de Engenharia do Porto. Vive em quartos alugados, com permanentes dificuldades financeiras e de saúde. A 7 de dezembro, conhece Maria Mécia de Freitas Lopes (Leça), filha do compositor e folclorista Armando Leça, num baile de calouros da Faculdade de Farmácia do Porto.

1941 Assina pela primeira vez como Jorge de Sena (seguido ainda do pseudônimo entre parêntesis) os poemas que publica no fascículo 4 dos Cadernos de Poesia. Durante as férias de verão, faz um estágio de Topografia na zona de Lisboa. Em 20 de dezembro, profere sua primeira conferência, “Rimbaud ou o dogma da trindade poética”, na Juventude Universitária Católica (Lisboa), a convite de Ruy Cinatti.

1942 Em maio sai a sua primeira crítica literária, sobre Poemas de África, de António Navarro, no n° 1 da revista Aventura, de que é redator nos dois primeiros números. No nº 2, publica aquela sua primeira conferência, integrando a separata “Homenagem a Rimbaud” que contará com mais colaboradores. Em junho/julho, publica Perseguição, primeiro livro de poesia, editado sob a égide dos Cadernos de Poesia, pago por Ruy Cinatti e Tomaz Kim, e impresso na tipografia Atlântida, de Coimbra, graças ao papel ofertado por João Alves Gomes dos Santos. Em setembro, frequenta o 1° ciclo do Curso de Oficiais Milicianos, em Penafiel. Interrompe os estudos devido ao agravamento do seu estado de saúde, ficando em Lisboa no período letivo de 1942/43.

1943 A 11 de fevereiro começa a colaborar no Diário Popular, como crítico literário. Frequenta o 2° ciclo do Curso de Oficiais Milicianos. Regressa à Faculdade de Engenharia do Porto.

1944 Em janeiro morre-lhe o pai e, em fevereiro, sua avó materna – grande apoio de sua infância e juventude. Em março, publica traduções de poemas de Paul Verlaine no Primeiro de Janeiro. Em setembro, publica n´O Globo uma página dedicada à poesia surrealista: apresentação e tradução de poemas de André Breton, Paul Éluad, Georges Hugnet e Benjamim Péret. Figura na antologia de Cecília Meireles, Poetas novos de Portugal. Faz o último exame da Licenciatura em Engenharia Civil e conclui o curso, graças à ajuda financeira de Ruy Cinatti e José Blanc de Portugal e ao apoio de José Osório de Oliveira, que lhe faz um adiantamento sobre futuras publicações na Portugália Editora. Começa a tragédia em verso O Indesejado.

1945 Cumpre o serviço militar no Batalhão de Engenharia 2, em Lisboa. Em maio, participa numa operação de transporte de tropas para os Açores, que lhe permite conhecer S. Miguel, ilha natal de seu pai. Em outubro, ainda oficial miliciano do Exército, subscreve listas públicas exigindo eleições livres. Não é deportado para a prisão do Tarrafal (Cabo Verde) por intervenção direta, junto a Salazar, de Ribeiro Couto – poeta e diplomata brasileiro. Em novembro termina O Indesejado.

1946 No começo do ano, é licenciado do serviço militar. A 28 de janeiro, no Clube Fenianos Portuenses, tem grande êxito a sua conferência “Florbela Espanca ou a expressão do feminino na poesia portuguesa”. Em fevereiro, graças à intermediação de Ribeiro Couto, sai seu segundo livro de poesia, Coroa da Terra (Lello, Porto). Em maio, começa a colaborar no Mundo Literário. Em dezembro conclui o estágio do curso de Engenharia, na Barragem de Vale do Gaio. A 12 de dezembro, faz a conferência “Fernando Pessoa, indisciplinador de almas”, no Ateneu Comercial do Porto, tendo Manuela Porto como declamadora. Saem as Páginas de doutrina estética, de Fernando Pessoa, com seleção, prefácio e notas de sua responsabilidade.

1947 É publicada sua conferência sobre Florbela. Obtém a Carta de Engenheiro e trabalha para a Câmara Municipal de Lisboa e a Direção Geral dos Serviços de Urbanização (Monumentos Nacionais) do Ministério de Obras Públicas. Inscreve-se na Ordem dos Engenheiros (sócio n°2496). Em março, estreia como crítico de teatro na Seara Nova e faz a palestra inaugural do Círculo de Cinema na Sociedade Nacional de Belas-Artes.

1948 A 12 de junho, profere, no Clube Fenianos Portuenses, a primeira de muitas conferências sobre Camões: “A poesia de Camões – ensaio de revelação da dialéctica camoneana”. Entre 24 de junho e 16 de setembro adapta treze textos ao teatro radiofônico, para o programa de António Pedro, “Romance policial”, no Rádio Clube Português, de Lisboa. Em novembro, entra para a Junta Autônoma de Estradas (JAE), onde permanece até 1959.

1949 A 12 de março casa com Maria Mécia de Freitas Lopes. Em maio, começa a publicar O Indesejado na revista Portvcale. Em julho, começa a comentar filmes nas “Terças-feiras Clássicas”, organizadas pelo Jardim Universitário de Bela Artes (JUBA) no cinema Tivoli, até 1955. A 10 de dezembro, nasce no Porto Izabel Maria, a primeira filha, que terá Ruy Cinatti como padrinho.

1950 Publica Pedra Filosofal, seu terceiro livro de poesia. A 22 de novembro, nasce no Porto o segundo filho, Pedro Augusto, afilhado de Óscar Lopes.

1951 Co-dirige o IX Congresso Internacional da Estrada, cuja excursão final o leva à Madeira, a 5 de outubro. Co-dirige a 2ª série dos Cadernos de Poesia, redigindo o texto-manifesto de abertura “A Poesia é só uma”. A 7 de junho, faz conferência sobre o “Conceito de Poesia”, no Ateneu Comercial do Porto. Sai em volume O Indesejado (António, Rei), e A Poesia de Camões (Ensaio de Revelação da Dialética Camoniana). A 9 de dezembro, nasce no Porto Maria Joana, afilhada de Adolfo Casais Monteiro.

1952 Co-dirige a 3ª série dos Cadernos de Poesia. Começa a traduzir poemas ingleses de Pessoa. Em outubro, vai pela primeira vez à Inglaterra para estágio na firma de engenharia civil Blackwood Hodge. De 17 de outubro a 28 de novembro lê na BBC uma série de seis crônicas intituladas “Cartas de Londres”. Projeto de mudança para Angola, como engenheiro civil, que não chega a se concretizar. Na revista Tricórnio publica “Ulisseia Adúltera – farsa em 1 acto”.

1953 Em fevereiro é transferido para o Serviço de Pontes da JAE e logo integra a “Comissão para o Estudo das Ligações Rodoviárias e Ferroviárias entre Lisboa e a Margem Sul do Tejo”. A 16 de maio nasce, no Porto, sua filha Maria Manuela, afilhada de Alberto de Lacerda. A 22 de maio, conferência sobre literatura e cultura inglesas no Instituto Britânico do Porto. No Comércio do Porto, de 9 de junho, publica o primeiro texto português sobre o poeta grego Constantino Cavafy, seguido de 5 poemas traduzidos. Publicação, pela JAE, de Algumas Considerações sobre Estatísticas de Trânsito.

1954 Em janeiro, muda-se para o bairro de casas econômicas do Restelo. Em abril viaja à Galiza. A 25 de novembro, em Lisboa, no Restaurante Irmãos Unidos, profere conferência sobre Orpheu, por ocasião do descerramento do quadro “Fernando Pessoa”, de Almada Negreiros. Saem Alguns dos “35 Sonetos” de Fernando Pessoa (São Paulo), em colaboração com Adolfo Casais Monteiro.

1955 Publica o livro As Evidências: Poema em Vinte e Um Sonetos, distribuído em fevereiro, depois de ter sido apreendido pela PIDE, sob acusação de “subversivo” e “pornográfico”. Torna-se “consultor literário” da Editora Livros do Brasil. Publica em fevereiro, na Tetracórnio, o ensaio “Tentativa de um panorama coordenado da Literatura Portuguesa de 1901 a 1950”. Em setembro, viagem à Espanha (Badajoz, Mérida, Córdoba, Granada, Málaga e Sevilha).

1956 A 25 de abril, conferência sobre Manuel Bandeira no Centro Nacional de Cultura, em Lisboa. É um dos sócios-fundadores da Sociedade Portuguesa de Escritores e, temporariamente, consultor literário da editora Portugália. Mécia de Sena conclui a Licenciatura em Ciências Históricas e Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. A 19 de dezembro, nasce em Lisboa sua filha Mariana, afilhada de José Blanc de Portugal.

1957 Sai a tradução de Porgy e Bess, de DuBose Heyward. Em setembro, viaja pela segunda vez à Inglaterra, para novo estágio na área de engenharia. Conhece em Londres Manuel Bandeira. Visita a França e a Bélgica. Traduz Long Day´s Journey into Night, de Eugene O´Neill, para o Teatro Experimental do Porto, com encenação de António Pedro. A 12 de dezembro, em Lisboa, nasce seu sexto filho, Paulo Jorge, batizado pelo Pe. Manuel Antunes, afilhado do casal Fernando Pereira Basto. Ainda em dezembro falece a mãe de Mécia de Sena.

1958 A 15 de janeiro, nova conferência sobre literatura e cultura inglesas no Instituto Britânico do Porto. Colabora na Gazeta Musical e de Todas as Artes, incumbindo-se principalmente da crítica teatral. Em novembro publica Fidelidade, seu quinto livro de poesia, e a antologia Líricas Portuguesas – 3ª série.

1959 Em 11/12 de março participa do frustrado “Golpe da Sé” (seria Ministro das Obras Públicas num almejado governo provisório). Em abril, sai Da poesia portuguesa, seu primeiro livro de ensaios. A 4 de maio, em Lisboa, nasce o sétimo filho, Vasco Manuel (nome em homenagem aos sacerdotes Vasco Miranda e Manuel Antunes, dois grandes amigos da família Sena), afilhado de Francisco de Nascimento Ferreira e Dora Maria da Silva Setao Ferreira. A 27 de junho, começa a colaborar no jornal Estado de S. Paulo.

 

Dados cronológicos ordenados a partir de:
Jorge Fazenda Lourenço, Cronologia de Jorge de Sena, in:—, ed. Jorge de Sena – Antologia Poética. Lisboa, Guimarães, 2010. p. 308-321.

Jorge Fazenda Lourenço & Mécia de Sena, org. Jorge de Sena – a voz e as imagens. Lisboa, IEP/UNL, 2000. (fotobiografia)

Mécia de Sena & Isabel M. de Sena, Jorge de Sena: bio-bibliografia, in: Quaderni Portoghesi 13-14. Pisa, Giardini, 1977 p. 13-22.

1959-1965: Brasil

1959 A 7 de agosto, chega ao Brasil, desembarcando no Recife e seguindo para Salvador, a fim de participar, a convite do governo brasileiro, do IV Colóquio Internacional de Estudos Luso-Brasileiros, que transcorreu, de 10 a 21 de agosto, na Universidade da Bahia. Começa assim, com quase 40 anos de idade, seu exílio voluntário. No Rio de Janeiro, faz conferências na Faculdade Nacional de Filosofia. Em outubro, a convite de António Soares Amora, entra para a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Assis (São Paulo), onde rege as cadeiras de “Introdução aos Estudos Literários” e de “Teoria da Literatura”. De 9 de outubro a 13 de novembro, nessa Faculdade, conduz um curso sobre “A criação poética e a crítica de poesia”, que origina o seu “Ensaio de uma tipologia literária”. A 17 de outubro, Mécia e os 7 filhos chegam ao Brasil. Integra o Conselho de Redação (até 1962) do jornal anti-salazarista Portugal Democrático, publicado em São Paulo desde 1956.

1960 Dirige a seção portuguesa da coleção “Nossos Clássicos” da Editora Agir, Rio de Janeiro. Recusa convite de trabalho numa firma de engenharia de São Paulo. De 22 a 24 de janeiro, participa da primeira Conferência Sul-Americana Pró-Anistia dos Presos Políticos Espanhóis e Portugueses, realizada em São Paulo, na Faculdade de Direito. A 30 de abril, conferência sobre “Portugal e a Monarquia”, no Centro Republicano Português de São Paulo. A 1 de junho, em Lisboa, nas comemorações pessoanas do Centro Nacional de Cultura, seu texto “O poeta é um fingidor” é lido por David Mourão-Ferreira. De 7 a 14 de agosto, participa do I Congresso Brasileiro de Crítica e História Literária, na Universidade do Recife, onde apresenta o “Ensaio de uma tipologia literária”. Sai Andanças do Demônio, sua primeira coletânea de contos. Publica o “Ensaio de uma tipologia literária”, no número inaugural da Revista de Letras, de Assis (SP). Sai, em Lisboa, dos Estúdios Cor, a História da Literatura Inglesa de A. C. Ward – “revista, anotada, prefaciada e completada na época contemporânea por Jorge de Sena”.

1961 Em janeiro, sai Poesia-I (com o inédito Post-Scriptum), primeiro volume da obra poética completa. De 24 a 30 de julho participa do II Congresso Brasileiro de Crítica e História Literária, em Assis. Em agosto, muda-se para Araraquara e para a respectiva Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, como professor contratado de Literatura Portuguesa. A 7 de dezembro, em Araraquara, nasce sua filha Maria José, afilhada de Gilda e Antonio Cândido de Mello e Souza. Demite-se, com Adolfo Casais Monteiro e Paulo de Castro, da direção da Unidade Democrática Portuguesa, de que fora co-fundador. O conto “A noite que fora de Natal”, com desenhos de Paulo-Guilherme, é distribuído pelos Estúdios Cor de Lisboa como brinde natalino a seus clientes. Publica O Reino da Estupidez e O poeta é um fingidor (ensaios). Em tradução, saem Palmeiras Bravas, de Faulkner, e Ti Coragem e os seus filhos, de Brecht (co-tradução de Ilse Losa).

1962 Escreve a tese Uma canção de Camões, destinada a provas de livre-docência na Universidade Federal de Minas Gerais, que não chegam a se realizar por questões burocráticas relacionadas com a sua naturalização brasileira e outras. Em Araraquara, além de Literatura Portuguesa e Teoria da Literatura, passa a lecionar Literatura Inglesa no 2º semestre. É ainda professor visitante na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de São José do Rio Preto. No início de junho, palestra sobre a poesia moderna portuguesa na Mostra Internacional de Poesia, em São Paulo. Publica os “Quatros sonetos a Afrodite Anadiómena” no n° 2 da revista Invenção, dos concretistas de São Paulo. Em setembro/outubro, conferências no curso sobre o “Barroco literário”, organizado por Antonio Cândido, na Fundação Armando Álvares Penteado, sob patrocínio da USP. Nasce seu nono e último filho, Nuno Afonso, afilhado de Antonio Soares Amora.

1963 A 31 de janeiro, discursa no Centro Republicano Português, em São Paulo. Em março torna-se oficialmente cidadão brasileiro, o que lhe permite prestar provas de Livre-Docência. Em junho, começa a colaborar no recém-fundado O tempo e o modo. A 14 de agosto, conferência na “Semana euclidiana” de S. José do Rio Pardo. Em setembro, inicia a publicação da série de Estudos de História e de Cultura na revista Ocidente (Lisboa). Publica Metamorfoses, seguidas de Quatro sonetos a Afrodite Anadiómena (Lisboa); A Literatura Inglesa (São Paulo), Novelas inglesas (São Paulo) e A Sextina e a Sextina de Bernardim Ribeiro (Assis).

1964 Trabalha na edição do Livro do desassossego, de Fernando Pessoa, que abandona em 1969, por impossibilidade de controle dos manuscritos. Em março, escreve as peças em 1 ato A Morte do Papa e O Império do Oriente. Em Araraquara, a 2 de abril, discursa como paraninfo dos formandos. Ainda em abril, nas perseguições políticas subsequentes ao golpe militar de 31 de março, ou 1° de abril, é demitido, por telefone, da Faculdade de São José do Rio Preto. Em maio, escreve a novela O Físico Prodigioso. A 12 de julho, sofre grave acidente de automóvel. Em 28 e 29 de outubro presta provas de Doutoramento em Letras e de Livre-Docência em Literatura Portuguesa na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara, com a tese Os sonetos de Camões e o Soneto Quinhentista Peninsular. Inicia o romance Sinais de Fogo.

1965 Na revista O Tempo e o Modo, sai o ensaio “Edith Sitwell e T. S. Eliot” (janeiro) e o estudo sobre “O Sangue de Átis”, de François Mauriac (agosto).

 

Dados cronológicos ordenados a partir de:
Jorge Fazenda Lourenço, Cronologia de Jorge de Sena, in:—, ed. Jorge de Sena – Antologia Poética. Lisboa, Guimarães, 2010. p. 308-321.

Jorge Fazenda Lourenço & Mécia de Sena, org. Jorge de Sena – a voz e as imagens. Lisboa, IEP/UNL, 2000. (fotobiografia)

Mécia de Sena & Isabel M. de Sena, Jorge de Sena: bio-bibliografia, in: Quaderni Portoghesi 13-14. Pisa, Giardini, 1977 p. 13-22

1965-1978: Estados Unidos

1965 A 6 de outubro, parte de S. Paulo e chega a New York no dia seguinte, rumo à University of Wisconsin, Madison, como Visiting Professor, iniciando assim seu segundo exílio. Publica Teixeira de Pascoaes – Poesia (Col. “Nossos Clássicos, da Ed. Agir, Rio de Janeiro).

1966 Sai Uma Canção de Camões. São-lhe diagnosticadas “pedras visiculares”. É eleito membro da Hispanic Society of America, da Modern Language Association of America e da Rennaissance Society of America. Em agosto, sai Novas Andanças do Demônio (com O Físico Prodigioso). De 7 a 13 de setembro, participa do VI Colóquio Internacional de Estudos Luso-Brasileiros, em Harvard. O tempo e o modo de setembro publica o conto “Homenagem ao papagaio verde”. A 15 de novembro, conferência sobre literatura brasileira e hispano-americana, na Pennsylvania State University. Primeiras traduções de poemas seus para o inglês, por Jean R. Longland – Selections from Contemporary Portuguese Poetry.

1967 A 21 de março, conferência “Realism and Naturalism in Portugal and Brazil: with reference to French and other western literatures”. A 27 de maio, morre sua mãe. Ainda em maio, muda de casa, dentro de Madison. É impedido pelo governo português de continuar o pagamento de sua casa no Restelo. É nomeado Full Professor with Tenure de Literatura Portuguesa e Brasileira do Departamento de Espanhol e Português da Universidade do Wisconsin. Pede demissão da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara. Em julho, sai o 1°vol. de Estudos de História e de Cultura – 1ª série.

1968 Em abril, O Tempo e o Modo dedica-lhe número especial, onde publica uma breve autobiografia e fragmentos de Sinais de Fogo sobre a “aparição da poesia”. Sai Arte de Música. A partir de 6 de setembro, graças a uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian e à licença de um semestre da Universidade do Wisconsin, regressa pela primeira vez à Europa. Viaja (investigando, fazendo contatos e conferências) extensamente: Inglaterra, Escócia, Holanda, Bélgica, Dinamarca, Suécia, Alemanha, França, Áustria, Suíça, Itália, Espanha e Portugal, aonde chega às vésperas do Natal. A 4 e 5 de dezembro, ministra um curso na University of London. Em 22 de dezembro é detido pela PIDE, durante 24 horas, na fronteira espanhola, em Valencia de Alcantara. Após conversações telefônicas, nomeadamente de José Blanc de Portugal com o Chefe do Governo, Marcelo Caetano, é-lhe concedido visto de entrada. A Censura autoriza o relato do sucedido como um “equívoco de fronteira”. Muitos reencontros e entrevistas até seu regresso aos USA.

1969 A 19 de janeiro, é operado à vesícula, em Lisboa. Publica Os Sonetos de Camões e o Soneto Quinhentista Peninsular. A 12 de fevereiro, conferência sobre Almada Negreiros, na presença do poeta, na Sociedade Nacional de Belas-Artes, em Lisboa. A 14 de fevereiro, regressa aos Estados Unidos. Graças à intervenção de amigos, como António Alçada Baptista e Eduardo Lourenço, é-lhe restituída a posse de sua casa no Restelo. Em setembro, sai Peregrinatio ad Loca Infecta, nono livro de poemas. Em setembro e outubro, saem seus prefácios às edições portuguesas dos Manisfestos do Surrealismo, de André Breton e dos Cantos de Maldoror, de Lautréamont. Em outubro e dezembro, participa nos encontros do MLA em St. Louis e Denver.

1970 Simpatiza com a agitação política estudantil contra a guerra do Vietnã, na Universidade do Wisconsin. Em agosto, muda para a University of California, Santa Barbara (UCSB). Em novembro, participa no congresso anual da Pacific Coast Council for Latin American Studies, em Santa Bárbara. Publica A Estrutura de Os Lusíadas e Outros Estudos Camonianos e de Poesia Peninsular do Século XVI. Conferências na University of Illinois, Cincinnati, e na Tulane Univesity. Publica 90 e mais quatro poemas de Constantino Cavafy. O poeta Carlo Vittorio Cattaneo apresenta na Universidade de Roma a primeira tese universitária sobre a sua obra.

1971 Escreve a peça em 1 ato Epimeteu, ou o Homem que Pensava Depois. A 14 de maio, conferência “Antero revisited”, por ocasião das comemorações do centenário da “Geração de 70” na University of Califórnia, Los Angeles (UCLA). A 9 de junho, chega a Londres para nova viagem à Europa e Portugal. A 29 de julho. participa do I Colóquio Internacional sobre o Romanceiro, na Universidade Complutense de Madrid. Chega a Lisboa em 31 de julho. Em 2 e 3 de setembro, participa, em Salamanca, do Congresso da Associação Internacional de Hispanistas. A 21 de setembro, regressa a Santa Barbara, via Londres. Em dezembro sai Poesia de 26 séculos – I (de Arquíloco a Calderón).

1972 Passa a dirigir o Programa de Literatura Comparada da UCSB. A 4 de março, chega à Europa, via Paris, para viagem largamente motivada pelo IV Centenário d’Os Lusíadas. A 9 de março, conferência sobre Camões no Centro Cultural Português da Fundação Gulbenkian, em Paris; a 16 no King’s College (Londres); a 17, na Universidade de Bruxelas. A 15 de março, lê uma crônica na BBC, em Londres, sobre os seiscentos anos da Aliança Inglesa. A 30 de março, regressa a Santa Barbara. De abril a junho, conferências em várias universidades americanas. Em maio, sai Exorcismos, décimo livro de poesia. A 28 de junho, chega a Atenas, dando início ao terceiro périplo camoniano do ano. Em julho e agosto, visita espaços africanos: escreve in loco o poema “Camões na Ilha de Moçambique”; faz palestra na Universidade de Lourenço Marques a convite da Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra; revê Luanda. Ainda em julho, sai Poesia de 26 séculos – II (de Bashô a Nietzsche). Em meados de setembro regressa a Santa Barbara, depois de passar por Lisboa e Paris. Em dezembro, sai a antologia Trinta anos de poesia. Saem as edições comemorativas de Os Lusíadas e das Rimas Várias de Luis de Camões comentadas por Manuel Faria e Sousa, com prefácios de Jorge de Sena.

1973 A 8 de janeiro, chega a Lisboa para nova viagem pela Europa (conferências em Madrid, Paris e Londres). A 6 de março, conferência “Literature and Society”, durante a convenção da Universidade do País de Gales. A 31 de março, regressa a Santa Barbara, via Lisboa. A 9 de junho, palestra na Semana Portuguesa de San Jose, California. Entre 26 de julho e 3 de setembro, viaja por Portugal e Espanha. Em dezembro, sai Camões dirige-se aos seus contemporâneos e outros textos e Dialécticas da Literatura. Participa da convenção anual do MLA.

1974 Em janeiro, sai Conheço o sal… e outros poemas. Em maio saem Amparo de Mãe e mais 5 peças em 1 Acto; Maquiavel e outros estudos. Em junho, Francisco de la Torre e D. João de Almeida. A 24 de julho chega a Lisboa, experimentando um Portugal finalmente em liberdade. Entre 6 de agosto e 20 de setembro, viaja por Espanha e França, participando do V Congresso da Associação Internacional de Hispanistas, em Bordeaux (2 a 8 de setembro). Em dezembro, saem os Poemas Ingleses de Fernando Pessoa (com traduções também por Adolfo Casais Monteiro e José Blanc de Portugal).

1975 No trimestre de inverno, ensina Literatura Portuguesa também na UCLA, em virtude do falecimento do professor Machado da Rosa. Em abril, faz o discurso de abertura da IV Convenção Anual das Comunidades Portuguesas, em Sacramento, California. Em julho, na UCSB, passa a dirigir o Departamento de Espanhol e Português e o Programa Interdepartamental de Literatura Comparada. A 8 dezembro, em San Jose, California, palestra comemorativa pelo “1° de dezembro”. A 20 de dezembro, mensagem à comunidade portuguesa nos EUA, transmitida pela rádio.

1976 A 6 de fevereiro, participa do Colloquium on the International Repercussions of the Portuguese Revolution, na California State University de Long Beach. A 25 de março, sofre um ataque cardíaco, sendo-lhe implantado um pace-maker. Em abril, envia comunicação ao Congresso da Associação Internacional dos Críticos Literários, em Lisboa, a que não pode comparecer. Em maio, vem à luz Os Grão-Capitães. Em setembro, viaja a Portugal e Itália, proferindo uma conferência na Universidade de Roma sobre a poesia do século XX. Entre 27 e 29 de dezembro, fala em Nova York, num simpósio sobre Garcilaso de la Vega, durante a convenção anual do MLA.

1977 A 25 de janeiro, morre seu sogro, Armando Leça. A 25 de abril, recebe o Prêmio Internacional de Poesia Etna-Taormina, na Sicília. A 3 de junho, conferência sobre Camões na Fundação Calouste Gulbenkian, em Paris. A 7 de junho, participa nas comemorações do cinquentenário da revista presença, em Coimbra. A 10 de junho, discursa na Guarda, no “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”. Em junho, saem O Físico Prodigioso (1ª edição isolada) e Sobre esta praia… Oito Meditações à beira do Pacífico, o seu “testamento poético”. Em agosto, publica Dialécticas Teóricas da Literatura. A 13 de setembro, conferência sobre Alexandre Herculano, no centenário da sua morte, no Consulado de Portugal, em San Francisco. Em 7 e 8 de outubro, participa do Simpósio Internacional sobre Fernando Pessoa, na Brown University. Ainda em outubro: sai Régio, Casais, a presença e Outros Afins; participa no VI Congresso da Associação Internacional de Hispanistas, em Toronto e na Conferência Inter-americana, em Albuquerque, Novo México. Em novembro, reedita Poesia-I.

1978 A 19 de março, escreve o último poema: “Aviso a cardíacos e outras pessoas atacadas de semelhantes males”. Em março, publica Dialécticas Aplicadas da Literatura. Em abril, envia comunicação ao I Congresso Internacional de Estudos Pessoanos, no Porto, impedido de comparecer por razões de saúde. A 4 de maio, já muito doente, grava, em vídeo na UCSB, Jorge de Sena reads his poetry¸ entrevista a Frederick G. Willians, seguida de leitura de poemas. A 13 de maio, discursa na cerimônia de despedida de Robert Wilson da UCSB. Em maio, saem Poesia-II, Poesia-III e O Reino da Estupidez-II. A 1 de junho, envia a comunicação de abertura ao I Simpósio sobre as Tradições Portuguesas, na UCLA, a que não comparece por motivo de saúde. Sai Antigas e Novas Andanças do Demônio. A 4 de junho morre vítima de câncer em Santa Barbara, onde fica sepultado, em campa-rasa, no Calvary Cemetery. Aparece, em julho, Poesia do Século XX (de Thomas Hardy a C.V. Cattaneo). É condecorado, postumamente, com a Ordem de Santiago da Espada – concessão que lhe fora anunciada telefonicamente pelo Presidente da República, Ramalho Eanes, na ante-véspera de sua morte.

 

                                                                     * * * * * * * * * * * * *

 

1980 Graças à colaboração da Fundação Calouste Gulbenkian, é inaugurado o Jorge de Sena Center for Portuguese Studies, na University of California, Santa Barbara.

1983 Em setembro, em Araraquara, inauguração do Centro de Estudos Portugueses Jorge de Sena da Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista (UNESP).

1999 Em novembro, no Departamento de Letras Vernáculas da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) foi inaugurada a Cátedra Jorge de Sena para Estudos Literários Afro-Luso-Brasileiros, com substancial apoio da Fundação Calouste Gulbenkian. Ver http://catedrajorgedesena.letras.ufrj.br/

2009 A 11 de setembro, dá-se a trasladação de seus restos mortais para o Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, depois de solene homenagem na Basílica da Estrela, à qual compareceram várias autoridades e nomes destacados do cenário cultural português.

2010 A 2 de novembro, lançamento online do site Ler Jorge de Sena.

2010 Instituído pelo CLEPUL (Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias da Universidade de Lisboa), com o patrocínio de mecenas anónimo, o Prêmio Jorge de Sena, assim atribuído:

2010 – Vitor Manuel Aguiar e Silva

2011 – Jorge Vaz de Carvalho

2012 – Jorge Fazenda Lourenço

2013 – Gilda Santos/Ler Jorge de Sena

 

 

 

 

Dados cronológicos ordenados a partir de:
Jorge Fazenda Lourenço, Cronologia de Jorge de Sena, in:—, ed. Jorge de Sena – Antologia Poética. Lisboa, Guimarães, 2010. p. 308-321.

Jorge Fazenda Lourenço & Mécia de Sena, org. Jorge de Sena – a voz e as imagens. Lisboa, IEP/UNL, 2000. (fotobiografia)

Mécia de Sena & Isabel M. de Sena, Jorge de Sena: bio-bibliografia, in: Quaderni Portoghesi 13-14. Pisa, Giardini, 1977 p. 13-22.