Jorge de Sena e Fernando Pessoa

Os ensaios e artigos que Jorge de Sena escreveu sobre Fernando Pessoa entre 1940 e 1978, que a seguir se transcrevem, estão repertoriados na minha Pessoana. Bibliografia passiva, selectiva e temática (Assírio & Alvim, 2008). Os textos marcados com asterisco encontram-se reunidos in Fernando Pessoa & Cª. Heterónima (Estudos Coligidos 1940-1978) Lisboa: Edições 70, 1982, 2 vols; 2ª. edição, 1983; 3ª, edição num volume, 2000):

 
 
1. [Carta à Direcção da "Presença"]. In Presença., XII, Série II, 2, 2/1940, pp. 138-139. *
Carta datada de 8 Janeiro 1940 e publicada sob o pseudónimo Teles de Abreu. O poema "Apostila", de Álvaro de Campos, publicado pela "Presença" como inédito, não o era: tinha sido publicado no "Notícias Ilustrado" de 27 de Maio de 1928, com algumas variantes, que se comentam.

2. "Carta ao Poeta". In O Primeiro de Janeiro, 9/8/1944. [Rep. sob o título "Carta a Fernando Pessoa", in DA POESIA PORTUGUESA. Lisboa: Ática, 1959, pp. 165-169; em tradução castelhana de Ángel Campos Pámpano, sob o título "Carta a Fernando Pessoa", in ABC, Madrid, 30 de Novembro de 1985] *
A tendência de FP para a despersonalização, com a criação de poetas e escritores heterónimos, significa uma desesperada defesa contra o vácuo que ele sentia sem si próprio e à sua volta. FP não foi um mistificador, nem foi contraditório: foi complexo; não foi tão-pouco um poeta do Nada mas, pelo contrário, um poeta do excessivamente tudo, do excessivamente virtual.

3. "Prefácio" e "Notas". In FERNANDO PESSOA. PÁGINAS DE DOUTRINA ESTÉTICA. Selecção, Prefácio e Notas de (…). Lisboa: Editorial Inquérito, 1946, pp. 7-16 e 303-365. [2ª. reimpr., não autorizada, s.d. (1964] *
Reúnem-se escritos de FP em prosa, que dão uma imagem do que foi, no campo da especulação e da acção, o seu enorme labor intelectual, servido por um estilo multímodo e inconfundível, cuja "encenação" é levada até à ortografia. Na sua generalidade, os textos aqui coligidos, se algum defeito têm é a excessiva clareza lógica de um raciocínio implacável, sempre a dois passos do esquematismo. Há em FP uma ironia latente (e muitas vezes ostensiva) que permite erros de interpretação e avaliação: ele desejava, certamente, a salutar descida ao subconsciente nacional da maior parte dos seus escritos. A propósito da "Nota ao acaso", de Álvaro de Campos, sublinha-se que toda a obra de FP, poética ou não, patenteia que o "problema gnoseológico do conhecimento" foi problema fundamental de FP: toda essa obra coloca, em primeiro plano, a questão da sinceridade, mas da sinceridade metafísica (e não a sinceridade ética).

4. "Sobre um artigo esquecido de Fernando Pessoa". In Mundo Literário, 19/10/1946, pp. 7-8. [Ensaio parcialmente integrado no Prefácio e numa Nota in FERNANDO PESSOA. PÁGINAS DE DOUTRINA ESTÉTICA] *
O texto de FP "À memória de António Nobre", inspirado na pura tradição do ensaísmo inglês, é escrito numa prosa absolutamente poética, sem a abstracção lógica, tão implacável como irónica, dos seus artigos. Nele perpassa uma profunda melancolia.

5. "Fernando Pessoa e a literatura inglesa". In O Comércio do Porto, Supl. "Cultura e Arte", 11/8/1953. [Acompanhado da trad. dos "Sonnets" XV (por Jorge de Sena), XXVIII (por Adolfo Casais Monteiro) e XXXV (por Jorge de Sena e Adolfo Casais Monteiro. Rep. in ESTRADA LARGA. Porto: Porto Editora, s.d. (1958), I, pp. 192-197] *
O problema das relações de FP com o Inglês e indirectamente com a cultura britânica é da maior importância, na medida em que ajuda a explicar a formação intelectual e artística em que, como grande poeta português, sempre se comprazeu: a cultura britânica, adquirida em Durban, deu-lhe a possibilidade de usar a língua portuguesa com uma virgindade de quem a contempla pela primeira vez. Os "35 Sonnets" sintetizam o neoplatonismo integral que é subjacente ao pensamento profundo de FP, devendo muito à doutrinação de Walter Pater. "Antinous" e "Epithalamium" são dos mais belos poemas raiando a obscenidade que jamais escreveu um poeta português.

6. "Maugham, Mestre Therion e Fernando Pessoa". In Diário de Notícias., 3/21/1957. *
A figura de Aleister Crowley, cuja personalidade se descreve através de citações do romance de Sommerset Maugham "The Magician", é interessante para a "petite histoire" de FP.

7. "'Inscriptions' de Fernando Pessoa. Algumas notas para a sua compreensão". In O Comércio do Porto, Supl. "Cultura e Arte", 9/9/1958. [Com a tradução do Epitáfio II. Texto utilizado, em grande parte, in "O heterónimo Fernando Pessoa e os Poemas Ingleses que publicou" . Rep. in ESTRADA LARGA. Porto: Porto Editora, s.d. (1958), I, pp. 187-191] *
Descontado um certo requinte indispensável à simplicidade e concisão lapidares (também utilizadas em poemas da "Mensagem") e inerente ao estilo alusivo que é o das literaturas da antiguidade, as "Inscriptions" de FP são de uma sóbria e correcta singeleza, longe da complexidade conceptual dos "35 Sonnets". É errado dizer-se que Ricardo Reis é o heterónimo mais afim destes poemas em Inglês.

8. "Fernando Pessoa, indisciplinador de almas. (Uma introdução à sua obra em prosa)". In DA POESIA PORTUGUESA. Lisboa: Ática, 1959, pp. 171-192. [Conferência proferida em 12 de Dezembro 1946 no Ateneu Comercial do Porto.] *
A obra de FP que, embora variada, é extremamente una, caracteriza-se pela preocupação nacional, a irreverência propositada, a consciência do próprio valor, a qualidade luciferina do seu espírito e a inexcedível perfeição da sua linguagem. De certo modo um pós-simbolista e cujo génio integra as tendências europeias do seu tempo, FP dedicou a vida inteira à subversão, em si mesmo, nos seus amigos, nos seus contemporâneos e na posteridade (sobretudo nesta): é um dos maiores mestres de liberdade e de tolerância que jamais houve.

9. "ORPHEU". In DA POESIA PORTUGUESA. Lisboa: Ática, 1959, pp. 145-163. [Palestra lida em 25 Novembro 1954 no Restaurante Irmãos Unidos, em Lisboa, por ocasião do descerramento do retrato de FP por Almada Negreiros] *
Descrevem-se e comentam-se as personalidades do grupo do "Orpheu" que significa, acima de tudo, uma crise, magistralmente superada em FP, que a viveu através da criação dos heterónimos. Nestes realiza FP a objectivação da expressão poética e, ao mesmo tempo, procura a dissolução da personalidade corrente e indivisível das estruturas psicológicas clássicas da sociedade tradicional

10. "Cartas de Sá-Carneiro a Fernando Pessoa". In O Estado de S. Paulo, 19/3/1960, pp. 1. [Rep. in O POETA É UM FINGIDOR. Lisboa: Ática, 1961, pp. 61-77] *
Ninguém como FP compreendeu Mário de Sá-Carneiro, porque se estava compreendendo a si próprio na pessoa do outro, cuja intimidade de espírito e cujas declarações escritas são sinal de uma identidade de contrários, sublimada pelo suicídio de Sá-Carneiro.

11. "Vinte e cinco anos de Fernando Pessoa". In O Estado de S. Paulo, 3/12/1960. [Rep. in O POETA É UM FINGIDOR. Lisboa: Ática, 1961, pp. 79-95] *
Relato do relacionamento da Tia-Avó de Jorge de Sena com FP, na Rua Coelho de Rocha e recordações pessoais: Sena lembra-se, adolescente, de FP como um "senhor suavemente simpático, muito bem vestido, que escondia no beiço de cima o riso discretamente casquinado", com um ar de estrangeiro, distante no tempo e no espaço". A publicação da "Obra Poética" (Aguilar), marca uma data nos estudos "fernandinos" : Maria Aliete Galhoz vem tomar um lugar proeminente entre "os donos encartados" de FP.

12. "O poeta é um fingidor (Nietzsche, Pessoa e outras coisas mais)". In O POETA É UM FINGIDOR. Lisboa: Ática, 1961, pp. 21-60. [Comun. ao IV Colóquio Internacional de Estudos Luso-Brasileiros, Salvador, 1959.] *
Verifica-se, coteja-se e explora-se o nexo entre o pensamento de FP e o de Nietzsche, aspecto decisivo para a interpretação do Poeta: para Nietzsche, o poeta, para dizer a verdade, precisa de, em consciência e vontade, ser capaz de mentir. Esta capacidade de mentir não significará o "criar ficções", nem o pura e simplesmente "fingir" que os detractores de FP leram no primeiro verso de "Autopsicografia", antes se refere especificamente à ordem do conhecimento ou, mais exactamente, à ordem da "expressão autêntica" de um conhecimento do mundo. Está por fazer o estudo sistemático do elemento erótico em toda a obra de FP.

13. “Pessoa e a Besta". In O Estado de S. Paulo, 30/3/1963. [Rep. in O Comércio do Porto, 14 Janeiro 1964] *
A propósito da personalidade de Aleister Crowley, historiam-se as suas relações com FP, incluindo o "Caso da Boca do Inferno". O capítulo das relações e convicções esotéricas de FP, embora fundamental, é ainda um dos menos compreendidos.

14. "21 dos '35 Sonnets' de Fernando Pessoa. Apresentação em português". In Alfa, 10, Marília: Departamento de Letras, Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Marília: 9/1966, pp. 7-24. [Texto parcialmente utilizado in "O heterónimo Fernando Pessoa e os Poemas Ingleses que publicou"] *
Apresentação e justificação da tradução para português de 21 dos "35 Sonnets" de FP, feita por Jorge de Sena (16), Adolfo Casais Monteiro (4) e José Blanc de Portugal (1). As traduções não são livres: são, talvez, a busca do compromisso possível entre a literalidade e a transposição poeticamente livre. Assim como a tradução literal não é a mais fiel, será um pecado fazer belas poesias com as poesias dos outros.

15. [Verbete sobre Fernando Pessoa]. In GREAT ENCYCLOPEDIA OF WORLD LITERATURE IN THE 20TH CENTURY III. Nova York, 1971. [Rep. Em trad. portuguesa in Jorge de Sena, AMOR E OUTROS VERBETES. Lisboa: Edições 70, 1992, pp. 227-231] Como "caso", FP seria um pasmo, se o não fosse pela excepcional qualidade da sua poesia: é um dos maiores poetas deste século em qualquer língua.

16. "Literatura Portuguesa (Europeia e do Brasil Colonial". In ENCYCLOPAEDIA BRITANNICA. 15ª. ed., 1974. [Rep. em trad. portuguesa in Jorge de Sena, AMOR E OUTROS VERBETES. Lisboa: Edições 70, 1992, pp. 253] FP está a tornar-se internacionalmente conhecido como um dos grandes poetas do século.

17. "O heterónimo Fernando Pessoa e os poemas ingleses que publicou". In POEMAS INGLESES PUBLICADOS POR FERNANDO PESSOA. Obras Completas de Fernando Pessoa XI. Edição bilingue com prefácio, traduções, variantes e notas de (…), e traduções também de Adolfo Casais Monteiro e José Blanc de Portugal. Lisboa: Ática, 1974, pp. 13-87. *
Apresentação e justificação da edição, incluindo os critérios seguidos na tradução para Português e a história completa da génese dos poemas. Os poemas em Inglês publicados por FP não são, à parte excelentes passos, da sua melhor poesia, mas são indubitavelmente da maior importância pelo que revelam do que ele menos revelou de si mesmo na sua poesia em Português e pelo que, por outro lado, mostram de uma fixação de temas e expressões suas, como de muitos jeitos sintácticos ou estilísticos da sua língua poética que, em português, se criou da tradução mental de construções correntes, ou menos correntes, que a língua inglesa possui e permite. Um tão completo processo de despersonalização lírica como é a heteronímia não poderia efectivar-se tão perfeitamente senão em alguém cuja dualidade linguística lhe desse a linguagem como um sistema de signos e relações destituído de outro valor que o de serem equivalentes de um sistema para o outro, como da conceptualização à verbalização.

18. "'Sim, é o Estado Novo, e o povo' – Um inédito de Fernando Pessoa apresentado por Jorge de Sena". In Diário Popular, 30/5/1974. *
Apresentação do poema, que prova que FP, se não era "um modelo de ideais socialistas que não eram os seus", era "anti-autoritário e adversário do antigo regime".

19. "Um triplo poema de Fernando Pessoa sobre António de Oliveira Salazar apresentado e comentado por Jorge de Sena". In Diário Popular, 5/30/1974 e 6/6/1974. *
Estes três poemas descobertos quinze anos antes, no espólio de FP, mostram que o Poeta não só mantinha as suas distâncias, como enveredava por uma atitude de franca resistência relativamente a Salazar e ao Estado Novo. Jorge de Sena esclarecem as condições em que os descobriu no espólio de FP e fez publicar em O Estado de S. Paulo.

20. "Os Poemas de Fernando Pessoa contra Salazar". In O Comércio do Porto, 9/7/1974. *
A propósito da publicação por Joaquim de Montezuma de Carvalho em "O Comércio do Porto" (em 28 de Maio de 1984) do poema "António de Oliveira Salazar", Jorge de Sena historia e esclarece a sua anterior publicação em "O Estado de São Paulo" e no "Diário Popular".

21. "Amor". In GRANDE DICIONÁRIO DE LITERATURA PORTUGUESA E DE TEORIA LITERÁRIA. Dirigido por João José Cochofel. Vol. I. Lisboa: Iniciativas Editoriais, 1977 . [Rep. In Jorge de Sena, AMOR E OUTROS VERBETES. Lisboa: Edições 70, 1992, pp. 60-63] Ricardo Reis proclama polemicamente um erotismo livre das limitações cristãs tradicionais; Alberto Caeiro é um amoroso ainda mais tradicional e Álvaro de Campos é o mais erótico dos heterónimos. "Antinous" é a mais intensa afirmação de erotismo composta por um poeta português desde a poesia clandestina dos sécs. XVII e XVIII.

22. "Jorge de Sena rispondi a tre domande su Pessoa". In Quaderni portoghesi, 1, Giardini Editori e Stampatori, Primavera 1977, pp. 137-158. [Entrevista conduzida e transcrita por Luciana Stegagno-Picchio em Abril de 1977] *
Interpretação dos poemas em Inglês – que não são grande poesia, mas em que há momentos de grande poesia – como chave para a compreensão do pensamento poético de FP e análise da questão da sinceridade do Poeta: o "fingimento" pessoano é uma "arte poética" que FP partilha com grande número dos seus pares modernistas de várias línguas e culturas: aliás, o verbo latino fingo, quando aplicado à criação poética, significava muito simplesmente, "compor".

23. "Fernando Pessoa : O Homem que Nunca Foi". In Persona 2, Porto, C.E.P., 7/1978, pp. 27-41. [Trad. portuguesa, pelo Autor, da comunicação original em inglês por ele apresentada no Simpósio Internacional sobre Fernando Pessoa, Brown University (Providence, E.U.A.), 8 Outubro; rep. do texto original sob o título "Fernando Pessoa. The Man Who Never Was", in THE MAN WHO NEVER WAS. Essays on Fernando pessoa. Edited and with an introduction by George Monteiro, Providence, Rhode Island: Gávea-Brown, 1982, 19-31; rep. em trad. francesa in "Po&sie", nº. 75, Paris, 1º. trimestre 1996, pp. 40-50] *
Tendo como "fonte de inspiração" as suas recordações de adolescente (FP era "um senhor, distinto e simpático", que "falava ocasionalmente em inglês com a minha tia-avó, permutava com ela livros em inglês, objectos raríssimos e invulgares naquele tempo em Portugal, e fazia uso do telefone dela (outro objecto então tremendamente incomum em casas de família, nesse tempo"), Jorge de Sena analisa a vida e a obra "daquela pessoa real chamada Fernando Pessoa, que era realmente um fantasma, ou, se quisermos, um cabide para a multidão de seres inexistentes muito mais reais do que ele mesmo queria ser". Ninguém, como ele, levou a despersonalização dos autores modernos a tão acabados extremos de conseguida e magnífica realização: os heterónimos são a mais mortalmente séria criação poética de todos os tempos.

24. "O 'meu mestre Caeiro' de Fernando Pessoa e outros mais". In ACTAS DO I CONGRESSO INTERNACIONAL DE ESTUDOS PESSOANOS, Porto: Brasília Editora, 1979, pp. 341-364. [Comun. ao I C.I.E.P., Porto] *
Estudo comparativo biográfico-crítico dos participantes no fenómeno heteronímico, com especial incidência no caso de Alberto Caeiro, e das suas incidências e correlações com a vida real de FP ele-mesmo: Caeiro vivia com uma tia-avó (a tia materna de FP, Maria Xavier Pinheiro?), "viveu" exactamente o mesmo tempo que Mário de Sá-Carneiro (1889-1915) e "morreu" tuberculoso como o próprio pai de Pessoa. O poeta quinhentista inglês Sir Philip Sidney será um Alberto Caeiro avant la lettre.

25. "Inédito de Jorge de Sena sobre o 'Livro do Desassossego'". In Persona 3, Porto, C.E.P., 7/1979, pp. 3-40. [Com uma introdução de Arnaldo Saraiva] *
Ensaio que seria o prefácio da edição do "Livro do Desassossego", pela Ática, de que Jorge de Sena teve de desistir, em 1969, por insuperáveis dificuldades em obter, de Lisboa, cópias e informações rigorosas sobre os fragmentos. Historia-se, minuciosa e exaustivamente, a génese do "Livro", incluindo os diversos planos em que ele é mencionado, inventaria-se rigorosamente a volumosa produção de FP em prosa e em verso, publicada entre 1915-1929 e 1930-1935 (para concluir que FP "não era o desconhecido que fizeram dele"), analisam-se as implicações da carta a Adolfo Casais Monteiro sobre a génese dos heterónimos e distingue-se entre Bernardo Soares e o Barão de Teive. Se nem todos os trechos do "Livro" são de igual valor, alguns serão da mais bela e mais penetrante prosa da língua portuguesa. Neles perpassam os temas dos poemas de todos os heterónimos e ortónimos: o racionalismo transcendental e o misticismo irónico e frio de FP ele-mesmo, a meditação existencial de Álvaro de Campos, o empírio-criticismo de Alberto Caeiro, a consciência da fugacidade de tudo de Ricardo Reis, o anarquismo paradoxal de "O Banqueiro Anarquista", o neo-positivismo espiritualista dos "35 Sonnets", a lascívia reprimida do autor do "Antinous", etc., etc. Sob tudo isto, como uma maldição, a terrível incapacidade de amar, a medonha demonstração de que o homem existe pelos seus actos e não é outro senão eles e que não existe, senão como ficção, quando, em lugar de aceitar "ir sendo", escolhe fixar-se na pedagogia monstruosa de ser por conta alheia, de se perder "na floresta do alheamento".

26. [Verbete sobre Fernando Pessoa]. In COLUMBIA DICTIONARY OF MODERN EUROPEAN LITERATURE. Nova York: Columbia University Press, 1980. [Rep. em trad. portuguesa in Jorge de Sena, AMOR E OUTROS VERBETES. Lisboa: Edições 70, 1992, pp. 214-215] Resumo biográfico-crítico de FP.

27. [Carta à Direcção da "Presença"]. In FERNANDO PESSOA & Cª. HETERÓNIMA (ESTUDOS COLIGIDOS 1940-1978). Lisboa: Edições 70, 1982, pp. 23-24 (Vol. I). [Rep. in 3ª. ed., pp. 17-18] Carta datada de 6 Abril 1940. Post-scriptum (não publicado) à carta de 8 de Janeiro 1940, com indicação de mais uma variante do poema "Apostila", de Álvaro de Campos.

28. "Ela canta pobre ceifeira". In FERNANDO PESSOA & Cª. HETERÓNIMA (ESTUDOS COLIGIDOS 1940-1978). Lisboa: Edições 70, 1982, pp. 7-65 (Vol. II). [Rep. in 3ª. ed., pp. 207-253] Ensaio sobre a poética do FP ortónimo. Entre o enorme número de poemas por ele publicados em vida, "Ela canta pobre ceifeira" ocupa lugar de relevo; a seu propósito, analisa-se exaustivamente a produção poética ortónima entre 1914 e 1934, nos aspectos da métrica, da rima e da organização estrófica, verificando a recorrência de poemas octossilábicos, o que revela um gosto incomum por essa medida (contrariamente à ideia generalizada de que o FP ortónimo era quase uniformemente heptassilábico). Historia-se a génese daquele poema e estudam-se em pormenor sete dos poemas enviados por FP a Armando Côrtes-Rodrigues em 1915. Para Jorge de Sena, a obra dita ortónima não é menos heteronímica que a dos heterónimos propriamente ditos: apenas muitas vezes ela participa sinultaneamente dessa criação "em nome de outrém" (ainda que assinada FP), que imita uma maneira de estilo, e de uma consciência crítica do não-eu que a assinatura ortónima civilmente representava.


A obra pessoana de Sena é paradigma de uma atitude crítica de incomparáveis scholarship, profundidade, inteligência e intuição: não se pode compreender a obra de Fernando Pessoa se não se conhecer o que sobre ela escreveu Jorge de Sena.

 

 

* Licenciado em Direito ligado à Fundação Calouste Gulbenkian durante décadas (1961-2004), José Blanco é "pessoano" apaixonado desde longa data e vem realizando detido trabalho de investigação e de divulgação internacional da obra do poeta. Além de numerosa participação em encontros científicos, foi curador das exposições pessoanas de 1985, em Paris e Londres, e de 1988, em Lisboa. A sua portentosa Pessoana (Bibliografia passiva, selectiva e temática e Índices), em 2 vols., registra mais de 6.000 verbetes comentados e constitui indispensável instrumento de estudo para quem se debruce sobre Fernando Pessoa.


 

A produção ensaística de Jorge de Sena

OBRA-Ensaios* 1959Da Poesia Portuguesa

* 1961 “O Poeta é um Fingidor”

* 1963 A Literatura Inglesa: Ensaio de Interpretação e História (editado em São Paulo. A edição portuguesa é de 1989)

* 1965Teixeira de Pascoaes: Poesia. Selecção, introdução e notas. (editado no Rio de Janeiro. A edição portuguesa é de 1982)

* 1966Uma Canção de Camões: Interpretação Estrutural de uma Tripla Canção Camoniana, precedida de um Estudo Geral sobre a Canção Petrarquista Peninsular, e sobre as Canções e as Odes de Camões, envolvendo a Questão das Apócrifas.

* 1967 Estudos de História e de Cultura (1a. Série)

* 1969Os Sonetos de Camões e o Soneto Quinhentista Peninsular: As Questões de Autoria, nas Edições da Obra Lírica até às de Álvares da Cunha e de Faria e Sousa, revistas à luz de um Inquérito Estrutural à Forma Externa e da Evolução do Soneto Quinhentista Ibérico, com Apêndices sobre as Redondilhas em 1595-98, e sobre as Emendas Introduzidas pela Edição de 1598.

* 1970A Estrutura de Os Lusíadas e Outros Estudos Camonianos e de Poesia Peninsular do Século XVI.

* 1973 Dialécticas da Literatura. (1978 – 2a. ed. revista e aumentada, como Dialécticas Teóricas da Literatura)

* 1974 Maquiavel e Outros Estudos. (1991 – 2a. ed., Maquiavel, Marx e Outros Estudos)

* 1974 Francisco de la Torre e D. João de Almeida (editado em Paris)

* 1974Poemas Ingleses, de Fernando Pessoa. Edição bilíngue, prefácio, traduções, variantes e notas.

* 1977Régio, Casais, a presença e Outros Afins.

* 1978Dialécticas Aplicadas da Literatura.

* 1980 Trinta Anos de Camões, 1948-1978 (Estudos Camonianos e Correlatos). 2 vols.

* 1982 Estudos de Literatura Portuguesa – I

* 1982Fernando Pessoa & Ca. Heterónima (Estudos Coligidos 1940-1978). 2 vols.

* 1982 Estudos sobre o Vocabulário de Os Lusíadas: Com Notas sobre o Humanismo e o Exoterismo de Camões.

* 1986 Sobre o Romance (Ingleses, Norte-americanos e Outros).

* 1988 Estudos de Literatura Portuguesa – II

* 1988 Estudos de Literatura Portuguesa – III

* 1988 Estudos de Cultura e Literatura Brasileira

* 1988Sobre Cinema

* 1989 Do Teatro em Portugal

* 1992 Amor e Outros Verbetes.

* 1994O Dogma da Trindade Poética (Rimbaud) e Outros Ensaios.

* 2005Sobre Literatura e Cultura Britânicas

* 2005 Poesia e Cultura

* 2008 Sobre Teoria e Crítica Literária

 

Prefácios Críticos a:

  • Poema do Mar, de António de Navarro. Lisboa, 1957.
  • Poesias Escolhidas, de Adolfo Casais Monteiro. Salvador, 1960.
  • Teclado Universal e Outros Poemas, de Fernando Lemos. Lisboa, 1963.
  • Poesias Completas, de António Gedeão. Lisboa, 1964.
  • Confissões, de Jean-Jacques Rousseau. 3a. ed., Lisboa, 1968.
  • Poesia (1957-1968), de Helder Macedo. Lisboa, 1969.
  • Manifestos do Surrealismo, de André Breton. Lisboa, 1969.
  • Cantos de Maldoror, de Lautréamont. Lisboa, 1969.
  • A Terra de Meu Pai, de Alexandre Pinheiro Torres. Lisboa, 1972.
  • As Qvybyrycas, de Frey Ioannes Garabatus. Lourenço Marques, 1972.
  • Distruzioni per l’uso, de Carlo Vittorio Cattaneo. Roma, 1974.
  • Camões: Some Poems, trad. de Jonathan Griffin. Londres, 1976.

 

=> Da obra ensaística seniana, sem dúvida alguma, têm sido os seus estudos camonianos o principal objeto de inúmeras avaliações, por parte da crítica especializada, estampadas dispersamente em livros, periódicos e anais de congressos. No entanto, reunindo reflexões desenvolvidas ao longo de vários anos, Vítor Aguiar e Silva dedicou a tais estudos o volume Jorge de Sena e Camões – Trinta Anos de Amor e Melancolia (Coimbra: Angelus Novus, 2009), logo aquinhoado, por unanimidade, com o Grande Prémio de Ensaio Eduardo Prado Coelho, instituído em 2010 pela Associação Portuguesa de Escritores.

 

Leia mais:

Nota sobre os estudos camonianos e inesianos de Jorge de Sena

Numa concessão ao gosto seniano das contagens, listamos abaixo o número de páginas ao lado de cada título completo, para que melhor se evidencie a extensão de seus estudos sobre Camões (buscando maior uniformidade, seguimos as publicações das Edições 70, 1980/1984):

 

1) Uma canção de Camões. Interpretação estrutural de uma tripla canção camoniana, precedida de um estudo geral sobre a canção pretarquista peninsular e sobre as canções e as odes de Camões, envolvendo a questão das apócrifas. (1ª ed. 1966) – 479 p.

2) Os sonetos de Camões e o soneto quinhentista peninsular. (1ª ed. 1969) – 301 p.

3) A estrutura de Os Lusíadas e outros estudos camonianos e de poesia peninsular do século XVI. (1ª ed. 1970) – 315 p.

4) Trinta anos de Camões. 1948-1978 Estudos camonianos e correlatos – 2 vols. (1ª ed. 1980) – 357 p. (I) e 279 p. (II)

5) Estudos sobre o vocabulário de Os Lusíadas. Com notas sobre o humanismo e o esoterismo de Camões. (1ª ed. 1982) – 427 p.

TOTAL: 2.158 páginas

Convém lembrar que além dessas ponderosas 2000 páginas (arredonde-se o número descartando folhas de rosto, sumários, divisórias de capítulos etc.), há ainda textos de Sena que se encontram dispersos (como o é o caso da conferência “Camões: quelques vues nouvelles sur son epopée et sa pensée”, proferida em 1972 no Centro Gulbenkian de Paris) e outros textos de interesse colateral para os estudos camonianos (como é o caso do livro Francisco de La Torre e D. João de Almeida, e dos segmentos do livro O Reino da Estupidez II “O Fantasma de Camões (uma entrevista sensacional)” e “Um imenso inédito semi-camoneano e o menos que adiante se verá”. Neste último – originariamente prefácio de As Quybyrycas, de Frey Joannes Garabatus /António Quadros – encontra-se mordaz ironia a ilustres investigadores e seus eruditos métodos analíticos, não faltando mesmo a paródia a certo camonista preocupado com números e estatísticas n’Os Lusíadas…).

Mas, enquanto os estudos camonianos de Sena são frequentemente citados, quer para endossos, quer para revisões críticas de suas propostas (tal como faz Vítor Aguiar e Silva, no seu já indispensável Jorge de Sena e Camões – Trinta Anos de Amor e Melancolia), o mesmo não se passa com os também alentados, e algo correlatos, estudos sobre Inês de Castro a que se dedicou. Encontram-se eles inseridos nos monumentais Estudos de História e de Cultura, cuja publicação em fascículos tem início em fevereiro de 1963 (quando Sena ainda se encontrava no Brasil) e cessa em novembro de 1969 (já nos Estados Unidos), sempre pela revista Ocidente.

Deste conjunto, os 29 fascículos iniciais ganharam formato de livro em 1967, mas jazem nas páginas do periódico os restantes 15 vindos à luz, numa publicação tão abruptamente interrompida que nem sequer se completa a última frase impressa. E, até hoje, ainda estamos à espera do prometido segundo volume, que conteria, como anunciado ao fim do volume I, “além da conclusão do estudo sobre Inês de Castro, a Adenda e Corrigenda e o Índice Onomástico referente aos dois volumes”. A coletânea em livro é composta por quatro ensaios: “A família de Afonso Henriques”, “O Vitorianismo de Dona Filipa de Lencastre”, “Os painéis ditos de ‘Nuno Gonçalves’” e o colossal, porque se estende por 495 páginas, “Inês de Castro, ou literatura portuguesa desde Fernão Lopes a Camões, e história político-social de D. Afonso IV a D. Sebastião, e compreendendo especialmente a análise estrutural da Castro de Ferreira e do episódio camoniano de Inês”, cujo longo título auto-explicativo soa como proposição e bem dimensiona o ambicioso projeto de Sena, começado a publicar na Ocidente em outubro de 1963. Projeto que se espraia – inconcluso, sublinhe-se – por todas as 365 páginas dos demais fascículos editados. Ou seja, o estudo de Sena sobre Inês de Castro mereceu-lhe irrefutáveis e compactas 860 páginas impressas (tanto como cerca de 43% das dedicadas a Camões…), ao longo das quais examina as obras literárias peninsulares que, da Idade Média ao século XVIII, elegeram como alvo “aquela que depois de morta foi rainha”, e faz entremear a leitura analítica com espantosa erudição histórica e genealógica, adensada em transbordantes notas de rodapé. Segue abaixo a transcrição dos títulos dos 84 “capítulos” inesianos, e a indicação de suas páginas, caminho seguro, não só para situar o leitor diante da magnitude da empreitada, do encadeamento temático e do espaço concedido a cada tópico, como também para suprir uma lacuna no que concerne à sua 2ª. parte:

 

                                  Jorge de Sena: Estudos de História e de Cultura

 

INÊS DE CASTRO, ou literatura portuguesa desde Fernão Lopes a Camões, e história político-social de D. Afonso IV a D. Sebastião, e compreendendo especialmente a análise estrutural da Castro de Ferreira e do episódio camoniano de Inês

 

Índice do volume I (1967):

Nota prévia  (pág. 123)

Introdução (128)

1) Inês e o Romanceiro (130)

2) Algumas considerações sobre o Romanceiro (143)

3) Floresta de Inês e de Isabel (151)

4) Dona Isabel de Liar e a vingança da sua morte (165)

5) Ainda algumas considerações sobre o Romanceiro castelhano (176)

6) Conceituação preliminar do problema literário de Inês (180)

7) Inês de Castro nos reinados de Afonso IV e Pedro I (183)

8) O casamento de Pedro e Inês (197)

9) Os túmulos de Alcobaça (204)

10) Inês de Castro no reinado de D. Fernando, na crise de 1383-85 e na primeira metade do século XV: Fernão Lopes (219)

11) Digressão sobre Menezes, Castros e outros (245)

12) Lucena e Rui de Pina (250)

13) Rui de Pina e Garcia de Resende (259)

14) Inês vista por Lopes e por Pina (263)

15) Inês de Castro e a Crónica Geral de Espanha (269)

16) Data das Trovas de Resende (272)

17) Análise estrutural das Trovas de Resende (277)

18) Gil Vicente e Inês de Castro (303)

19) Gil Vicente e o Romanceiro (315)

20) A Crónica de Acenheiro (323)

21) A Eufrósina de Jorge Ferreira de Vasconcelos (340)

22) O reinado de D. João III (348)

23) O teatro post-vicentino (360)

24) O teatro de Séneca (375)

25) As poéticas do “Cinquecento” (380)

26) Algumas observações ainda sobre o teatro néo-clássico: Aires Vitória e outros (385)

27) António Ferreira: aspectosda sua vida e da sua obra (413)

28) Data provável da Castro (433)

29) O soneto e quem fez a elegia de Dona Inês (439)

30) Observações estruturais acerca da Castro de Ferreira (442)

31) A Castro de 1587 e a Castro de 1598 (447)

32) As duas Castros e as duas Nises (451)

33) Os Confidentes, os Mensageiros e o Coro (468)

34) O duplo Coro, e a primeira comparação entre a Castro e a Octávia de Séneca (472)

35) A Castro, a Sofonisba e a Cléopatre captive (481)

36) Observações sobre a composição métrica da Castro (486)

37) As personagens da Castro em relação às obras anteriores (489)

38) Digressões sobre Pachecos, Coelhos e Resendes (494)

39) Análise estrutural da Castro (506)

40) Camões, Inês de Castro e Os Lusíadas (570)

41) Alguns aspectos de episódio camoniano (579)

42) As “fontes” do episódio camoniano (Faria e Sousa e J.M.Rodrigues): algumas observações (591)

43) Anrique da Mota ou Inês em prosa e verso (604-618)

Total do volume I: 495 páginas

 

Índice do volume II, em fascículos (Revista Ocidente, set.1967 a nov.1969):

1) O Códice Manizola, D. Afonso IV, e outras obras (pág. 3)

2) Conspecto geral das referências a Inês de Castro e da evolução do seu mito (10)

3) Visão geral das obras sobre Inês, desde c.1575 a c.1640 (23)

4) Os condes de Lemos e Inês de Castro (29)

5) Bermudez e a tragediografia castelhana dos fins do século XVI (43)

6) Observações sobre as “Nises”, em especial a “Laureada” (51)

7) As teses de Rey Soto (56)

8) A “Nise Laureada” e “Os Lusíadas” (59)

9) Outras fontes de Bermudez (60)

10) Gabriel Lobo Lasso de la Vega e Inês de Castro (62)

11) Duarte Nunes de Leão (63)

12) O soneto de Lope de Vega, e uma peça ou não (66)

13) João Soares de Alarcão e a sua Infanta Coronada (72)

14) Os poemas narrativos publicados durante a ocupação castelhana (77)

15) As obras de João Soares de Alarcão, e análise de “La Infanta Coronada” (93)

16) A “Tragédia famosa de Dona Inés de Castro, reina de Portugal” (109)

17) Lugar de Alarcón, Guevara e Tirso no teatro espanhol do século XVII (123)

18) “Siempre ayuda la verdad” e a questão da sua autoria (132)

19) Inês de Castro em “Siempre ayuda la verdad” (149)

20) Matos Fragoso e a “Segunda Parte de Doña Inés de Castro” (165)

21) Alarcóns de Espanha e Alarcões de Portugal (173)

22) Uma alusão de Guillén de Castro a Inês, e o romance do “Palmero” (184)

23) Juan de Grajales e José de Valdivieso ocuparam-se de Inês de Castro? (196)

24) Mateus Pinheiro e D. Francisco Manuel de Melo (201)

25) Os sonetos de D. Francisco Manuel de Melo a Inês de Castro (206)

26) Manuel de Faria e Sousa (215)

27) Um curioso problema de fontes e de tópicos suscitado por Faria e Sousa (223)

28) Vélez de Guevara e “Reinar después de morir” (227)

29) Algumas observações sobre “Reinar después de morir” (237)

30) Análise de “Reinar después de morir” (243)

31) Análise de “Reinar después de morir” e vários problemas correlatos (246)

32) O Fradinho da Rainha e o Cano dos Amores (282)

33) O Cancioneiro Fernandes Tomás (289)

34) Fernão Correia de Lacerda e o “Cancioneiro Fernandes Tomás” (295)

35) Alguns dados sobre Fernão Correia de Lacerda; e Inês de Castro na família (305)

36) O “Império Lusitano”, de Fernão Correia de Lacerda (309)

37) “Saudades de D. Inês de Castro” (e também o Cancioneiro de Faria e Sousa) (313)

38) O Cancioneiro Manuel de Faria (e Sousa) (320)

39) Visão de Inês de Castro na segunda metade do século XVII em Portugal (350)

40) Inês no século XVIII (353)

41) O soneto ao representar-se no teatro de Lisboa a tragédia “Reinar depois de morrer: ou D. Inês de Castro” (360)

42) Heloisa e Abelardo, Pedro e Inês (363-368)

 

E no espólio de Jorge de Sena, em Santa Barbara, há ainda inéditos relevantes, além de numerosos apontamentos relativos a estes estudos inesianos…