20. À volta do Neorrealismo português, segundo Jorge de Sena  

Embora longe de suas preferências literárias, Jorge de Sena não deixou de refletir sobre as manifestações do Neorrealismo português, nem de antologiar os que considerou como seus mais significativos poetas, nem de manter diálogo com alguns de seus reconhecidos representantes.

 

A PROCLAMAÇÃO DO PRIMADO DO HOMEM*

Gilda Santos

É bem conhecida a falta de apreço que Jorge de Sena votava ao Neorrealismo. No entanto, a sua antologia das Líricas Portuguesas inclui dezoito poetas que o organizador filia ao grupo, nascidos entre 1909 e 1929, conforme critério cronológico aí adotado. Publicada em 1958 e complementando as duas séries já editadas pela Portugália, é obra ainda hoje vivamente enaltecida por ensaístas como Maria Alzira Seixo e Fernando J. B. Martinho, ou escritores como Luis Filipe Castro Mendes (vide os respectivos “testemunhos” no site “Ler Jorge de Sena” (http://www.letras.ufrj.br/lerjorgedesena/port/vida/testemunhos/). Das sintéticas coordenadas para uma “classificação histórico-literária” dos nomes antologiados nessa obra, recortamos e a seguir reproduzimos suas palavras, precisamente sobre o que constituiria a poesia neorrealista. Por outro lado, Sena não deixou de manter laços de duradoura amizade com alguns desses poetas, como José Saramago e José Fernandes Fafe. Do diálogo amistoso com eles cultivado é exemplo a carta inédita também abaixo transcrita. Enviada do “exílio brasileiro”, nela o autor enumera sua recente e intensa produtividade e, demonstrando grande confiança no destinatário, reitera suas convicções marxistas, bem como não poupa duras críticas a Portugal e aos compatriotas – motivos suficientes para ter sido interceptada pela PIDE.

 

 

O Neorrealismo nas Líricas Portuguesas

Por volta de 1940, extinguiam-se sucessivamente a presença como órgão de opinião modernista, que viera sendo desde 1927, e o seu prolongamento ecléctico e cada vez mais anódino e conformista (a Revista de Portugal, 1937-1940, na qual, todavia, seriam publicadas algumas obras ou estudos mais tarde influentes), e eram extintos O Diabo, semanário fundado em 1934, e Sol Nascente, fundado em 1937, precisamente quando se adensavam negramente sobre a Europa as mais terríveis nuvens. Só a Seara Nova,muito dessorada, e sempre dividida entre um «espírito seareiro» e a desconfiança ante a infiltração de correntes mais progressivas, iria manter-se como uma plataforma precária para uma certa liberdade de expressão que o espectáculo absorvente da Guerra Mundial parecia elidir na consciência de muitos. A luta contra o magistério crítico-literário dapresença que se desencadeara em muitos pontos, mas sobretudo nas páginas de O Diabo e de Sol Nascente, nas quais elementos da presença colaboravam aliás, revestira-se, logo de início, de um aspecto curiosamente complexo. Se aquele magistério encontrara, pela sua defesa dos valores intuitivos e do primado da expressão humana sobre a ética — defesa com que, aliás, libertara, pelo menos criticamente, a poesia, num sentido lato, das estreitas bitolas do interpretativismo racionalista e dos confessionalismos de vária ordem —, uma oposição justificada pelos receios de regresso à inconsciência ético-política de uma literatura — a nossa — que nunca primara, salvo em raros momentos, pelo brilho da consciência: não menos, em muitos casos, esses receios se misturavam a uma desconfiança ante qualquer forma de modernidade em arte, quando aquela modernidade, no sentido estrito que podemos distinguir a partir dos fins do século XIX (com alguns simbolistas, a reacção antiwagneriana, Cézanne e Van Gogh, etc.), já começava por toda a parte a transformar-se e a envelhecer. A aversão por essa modernidade, no entanto indispensável à revitalização da expressão artística, mas demasiado ligada a uma pretensa ou real alta cultura literária (se é que uma cultura meramente literária pode ser alta) orgulhosamente ostensiva, e apresentada como condição «sine qua non» para a categorização no presépio do triunfo cultural (e muitas dissensões dos próprios presencistas, desde os primeiros tempos da revista, são atribuíveis ao carácter necessariamente pessoal em que uma tal orientação culminaria), não deixava, aquela aversão, de se esconder mal sob certos ataques à ausência de um credo ético-político, que estruturasse o primado do «humano», preconizado pela presença, e já nem sequer pela Revista de Portugal, mais imbuída de pitoresquismo e de requinte «universitário». Uma pequena cultura de divulgação, o confusionismo crítico de uma figura digna como Abel Salazar (que o opusera a António Sérgio), a entrada na vida intelectual de algumas minorias pequeno-burguesas que se viam à beira da proletarização, tudo isso ao mesmo tempo documenta e condiciona as polêmicas de então sobre a missão social da arte. Centrados em Lisboa e no Porto, esses ataques suscitariam, entre estudantes da Universidade de Coimbra, o último movimento significativo que as sombras vetustas da Alta simbolicamente já demolida aninhariam maternalmente. A revista Vértice e a colecção Novo Cancioneiro — em cuja eclosão teve papel preponderante Fernando Namora — representam então os órgãos de uma orientação que subsiste ainda na primeira. Efémera como foi, até por algumas das obras lá publicadas e hoje repudiadas ou minorizadas pelos seus autores, a colecção Novo Cancioneiro, sobre cuja incipiência ou dependência de formas literárias do modernismo anterior (Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Afonso Duarte, Miguel Torga, são algumas das presenças mais formalmente evidentes) desabaram as chufas dos corifeus do modernismo esteticizante, representou a primeira tentativa de organização editorial de uma tendência que produzira, entretanto, Rosa dos Ventos, de Manuel da FonsecaE, no âmbito dela, foram progressivamente publicadas algumas obras de relevo, como os poemas dos malogrados Álvaro Feijó e Políbio Gomes dos Santos, que exemplificam, respectivamente, a transição para a nova consciência de um formalismo antemodernista e de outro mais de raiz presencista. Também a «negritude» tentada por Francisco José Tenreiro brotou desta corrente neo-realista, tal como o lirismo açoriano de Pedro da Silveira. A posição polémica do que veio a ser conhecido por «neo-realismo» ou, mais no campo poético, por «poesia social», não se distinguia, afinal, e a princípio — salvo a separação fundamental quanto à subordinação da arte a uma missão socialística —, dos postulados presencistas. Destes, mantivera o neo-realismo a proclamação do primado do homem sobre o estilo, sobre o exercício literário, e o desprezo por todas as formas sobreviventes da sensibilidade convencional, que, no entanto, viriam acoitar-se no descuido artístico de muito neo-realismo. Porque, ao pretender dar ao «homem» presencista um conteúdo e uma realidade sociais, e resguardá-lo assim do que se lhe afigurava um perigoso espiritualismo, o neo-realismo envolveu então, na mesma depreciação, coisas essencialmente opostas quais o estilo como alienação da consciência social, e o estilo como consciencialização artística. Chegou a proclamar-se a necessidade de escrever mal, como anteriormente o presencismo achara primacial o «documento humano», quando, no fim de contas, nenhum dos paradigmas de «humanidade» de uns e de outros deixara de ser um refinadíssimo artista. Foi a época das diatribes indiscriminadas contra a introspecção, o subjectivismo, o «umbigo», que se viam em tudo o que não se conformasse com determinada «linha» em que a poesia descritiva retomava alguns direitos que, é certo, perdera. Assim se extremavam, dentro da literatura de vanguarda, os campos, acumulando-se os equívocos, as injustiças, os desleixos formais, tudo o que propiciava, pela frágil «receita», o triunfo da mediocridade. E largamente se instituiu o critério, em que embarcou ingenuamente muita juventude de melhor cultura, de que era irremissivelmente reaccionária toda e qualquer atitude, mesmo progressista, que não «alinhasse», enquanto, do lado presencista ou afins, se vincava especioso juízo, depois tornado bastante extensivo, de que pode haver uma perfeita dicotomia entre as ideias político-sociais e a poesia que o detentor dessas ideias escreve. Os casos de um Casais Monteiro, crítico acerbo das fragilidades polémicas do neo-realismo e personalidade afinal «engagé», como, do outro lado, o de um poeta intimista qual João José Cochofel, um dos críticos menos parciais com que o neo-realismo então contava, são as excepções que confirmam a regra. Outras personalidades que militaram e ainda militam no neo-realismo (como Mário Dionísio, um dos seus mais activos críticos, e Sidónio Muralha, vivendo em Lisboa ambos, Luís Veiga Leitão, que será um dos poetas destacáveis da numerosa plêiade com que o Porto, desde o Sol Nascente, vinha contribuindo para uma corrente que continuou a ter lá um dos focos mais activos — de que é exemplo a poesia de Papiniano Carlos—, e Carlos de Oliveira, pertencente ao grupo de Coimbra, como Joaquim Namorado, cujos poemas e cuja personalidade tiveram uma acção revulsiva só comparável ao prestígio discreto de Manuel da Fonseca) ou quase silenciaram, ou, na aquisição de uma maturidade cultural, vieram a abrir-se, até pelo influxo de muitas hesitações doutrinárias, a uma compreensão menos de «grupo», a que não foram alheias as surpresas que o desassombro de certas atitudes, no fim da guerra, ao dealbar a esperança de uma vitória do espírito de «Resistência», causou entre os que pouco se fiavam — aliás com bem certa razão — do mero liberalismo. De resto, como atrás foi apontado, esse espírito, na sua forma francesa, em que predominavam vozes de aprendizado surrealista como as de Aragon e de Eluard, contribuiu para revivificar o neo-realismo, estruturando-o formalmente numa expressão mais liberta dos «clichés» sentimentais. A poesia de Fernandes Fafe, como a de António ReisArquimedes da Silva Santos e José Saramago, documenta esta última metástase do neo-realismo poético, mais metafórico que apostrófico, como João Apolinário, no Porto, prolongará, habilmente, um sentimentalismo populista e narrativo.   SENA, Jorge de, org. Líricas Portuguesas. 2 ed. Lisboa: Ed. 70, 1984. 2v. v.1-p. LVII-LXI. (Destacaram-se em negrito os nomes antologiados.)

 

 

Carta de Jorge de Sena a José Fernandes Fafe[1]

Araraquara, 10/7/62

Meu caro Fafe[2] A sua carta de 30 de Junho, reiterando a carta da Maria Virgínia[3], chegou sem demora, quando eu estava no Rio, chamado pelo Ministério da Educação, para fazer parte da comissão de reestruturação dos cursos universitários de Letras… É uma grande distinção que, como sempre sucede nestas coisas muito oficiais, faz que a gente ande com o dinheiro das despesas, e seja reembolsado não se sabe quando! Cá como lá. Quero que V. se convença – e eu, que tenho vivido sempre com a corda na garganta, sei bem como é difícil – de que nem um só momento deixo de ter presentes as suas aflições, e o quanto me cabe nelas. No dia em que escolhi, pela engenharia, a carreira universitária, era inevitável que passaria aqui o resto da vida, em luta com a  falta de dinheiro. Mas posso prometer-lhe, embora não em dia certo, que V.  receberá mensalmente o equivalente a mil escudos, quando não for possível pagar remessas extraordinárias, como esta que pude fazer agora. Muito obrigada pelo que me diz doReino da Estupidez[4], sobre o qual, em matéria de recortes, caiu, ao que concluo, um silêncio de pedra. Eu não estranho que  assim seja: é imensamente desagradável que, no entanto, foi aqui aclamado pela  crítica. Mas, aí, a coisa é bem diversa. As coligações que V. chama de “bem pensantes”, e que incluem, no mesmo saco, tudo o que vai da “Gazeta”[5] ao “Tempo Presente”[6], precisam de ter o maior cuidado comigo: estou crescendo, virando internacional, sou chefe político, o diabo, e posso estragar, ou poderia eventualmente…, a vida de muita gente. É um puro engano. Eu não tenho a mínima intenção de voltar a Portugal, mesmo que o depois de Salazar caia, para tornar a engenheiro da Junta Autónoma das Estradas… E não há perigo de que as Natálias[7](nome ideal para significar essa corja), quando forem ministros, me queiram para director-geral. Quanto à “universidade”, deslustrar-se-ia, se eu fosse catedrático. Continuo, sob este aspecto, a acalentar o sonho de ser embaixador fora daí… Se V. não fala na generalidade mas quer significar que isso se diz de mim,  quando afirma começam a sussurrar que eu perverto a juventude… – aproveito para dizer que, de facto, e isso mesmo que eu pretendo, e em vinte e cinco anos de actividade nunca pretendi outra coisa. Sou e serei cada vez mais marxista, sem ser comunista de filiação partidária, mas sem ser, também anti-comunista de qualquer  corte de esquerda desde o reformismo ao trotzkismo, que ambos repudio. Sou e serei   sempre católico, e anti-cristão, pelas mesmas razões… E não direi nunca que uma  besta não é uma besta. De modo que não só não faço pela subsistência, como de facto perverto a juventude conclamando-a a que seja autêntica e que rasgue toda e qualquer moral convencional. Sou mesmo, não há dúvida, um sujeito perigoso: perverso, obsceno e subversivo. Neste momento, acabo de escrever, para publicação, um magno ensaio sobre Marx, de capital importância como exposição do meu pensamento. É para um livro, a editar em São Paulo, sobre dez obras e autores importantes: couberam-me o Marx e o Maquiavel, sobre que escrevi[8]. Mandar-lhe-ei, quando sair. Está no prelo a minha História da Literatura Inglesa[9]; reuno os meus “ensaios camonianos”; preparo a edição de um vasto estudo sobre Camões, 300 páginas dactilografadas, formato grande; cuido da reedição acrescentada da “Tipologia Literária”[10]; revejo os meus contos “Os Grão-Capitães”[11]que horrorizarão (até porque as retrata), a Sociedade Recreativa de Putas Honorárias, que hoje pontifica nas letras pátrias; continuo a escrever poemas; vou lançar-me à edição do “Livro do Desassossego”[12], do Pessoa; concluo os “poemas ingleses”[13] dele; reuno os meus ensaios norte-americanos; etc. Isto me consola das Natálias daí e dos Sertórios[14] e Galvões[15] daqui. Porque, na verdade, num caso, quando a gente vem para o estrangeiro, é que a gente tem perspectiva justa para ver como a nossa raça é mesmo de filhos das supracitadas, com algumas excepções raríssimas, mas muito melhores do que as existentes onde a putidade é melhor distribuída. Dê notícias que anseio receber. A Mécia e eu mandamos as melhores lembranças. E aqui vai o grande abraço muito amigo do sempre grato seu Jorge de Sena   PS – Como deve ter sabido, mandei a Gazeta[16] à fava, com uma carta seca à Dona Quinta. PS – Espero que a próxima remessa seja por intermédio do António Pedro[17] que deve estar em São Paulo e ainda não vi.

 

 

[1] Carta inédita gentilmente cedida por Mécia de Sena.

[2] José Fernandes Fafe, além de escritor é diplomata. Considerado em Portugal como “mentor” da chamada “esquerda liberal”, é autor da primeira biografia de Ernesto Che Guevara, e, com base em sua experiência como embaixador em Cuba, escreveu recentemente um livro sobre Fidel Castro. Integra as Líricas Portuguesas, sendo assim apresentado por JS: Nasceu no Porto, a 31 de janeiro de 1927. Estudou em Lisboa e Coimbra, onde se formou em Ciências Histórico-Filosóficas, tendo sido em Lisboa professor do ensino secundário. Tem colaborado em diversas revistas e jornais como Seara Nova, Vértice, O Comércio do Porto, etc. A sua poesia, característica do que poderia chamar-se uma segunda geração neo-realista, apresenta, nos seus melhores momentos, um sóbrio equilíbrio entre um sempre desperto sentido das implicações sociais da poesia e um lirismo simples, no entanto sensível a uma imagística elaborada, de raiz discretamente barroca; e os poemas adquirem então um como que andamento despretensioso e emotivo, que lhes empresta uma singela e nobre elegância.

[3] Esposa de José Fernandes Fafe.

[4] Livro de JS publicado em 1961.

[5] Possivelmente a revista Gazeta Musical e de Todas as Artes, publicada em Lisboa, na qual JS colaborou intensamente de 1958 a 1961.

[6] “Revista portuguesa de cultura” publicada entre 1959 e 1961, dirigida por Fernando Guedes (antologiado nas Líricas Portuguesas de JS), acusada de porta-voz de uma “arte fascista”.

[7] Possível alusão à desabrida e controversa escritora Natália Correia (1923-1993), que também foi incluída por JS nas Líricas Portuguesas. Num ensaio de 1975, é assim apresentada pelo escritor: “Tão corajosa e tão franca […] é Natália Correia (n.1922), poeta e ficcionista que alinha entre as melhores escritoras actuais, que chocou os críticos e o público com a violência e o erotismo das suas últimas obras – é actualmente uma das mais activas jornalistas, escrevendo acerca da Revolução, como muitas outras mulheres têm feito (e a piada em Portugal é que algumas delas têm sido mais “viris” do que os homens, na atitude de desafio de tudo)” (Estudos de Literatura Portuguesa III. Lisboa, Ed. 70, 1988 p.151)

[8] Os dois ensaios foram publicados em 1963 no volume coletivo Livros que Abalaram o Mundo (São Paulo, Ed. Cultrix) e hoje integram o livro seniano Maquiavel, Marx e outros estudos.

[9] O livro de JS A Literatura Inglesa: Ensaio de Interpretação e de História teve sua 1ª. ed. em 1963, pela Ed. Cultrix, de São Paulo.

[10] O “Ensaio de uma Tipologia Literária” hoje integra o livro seniano Dialécticas Teóricas da Literatura.

[11] Escrita entre 1961 e 1962, esta “sequência de contos” só teve sua primeira edição em 1976, ou seja, depois do “25 de Abril”.

[12] Devido a dificuldades várias, este projeto foi abandonado por JS em 1969. Ver, a propósito, a revista Persona nº 13 (Porto, julho de 1979) e a coletânea de ensaios de JS Fernando Pessoa & Ca. Heterónima.

[13] A 1ª edição de Poemas Ingleses de Fernando Pessoa, com prefácio, tradução, notas e variantes de JS (em colaboração com Adolfo Casais Monteiro e José Blanc de Portugal nas traduções), ocorreu em 1974, integrando as “Obras Completas de Fernando Pessoa” da Ed. Ática.

[14] Manuel Sertório (1926-1985), advogado ligado ao PCP, esteve exilado no Brasil entre 1958 e 1965, onde atuou junto ao grupo anti-salazarista de São Paulo, reunido em torno do jornal Portugal Democrático. Refugiou-se depois na Argélia, regressando a Portugal depois do “25 de Abril”.

[15] Henrique Galvão (1895-1970), ex-militar que conspirou contra o governo de Salazar, notabilizou-se por comandar a tomada do paquete Santa Maria em janeiro de 1961. Rendendo-se, pediu asilo político ao Brasil, onde aderiu ao grupo dos oposicionistas em São Paulo, onde faleceu.

[16] Vide nota 4

[17] Artista polifacetado (1909-1966), esteve ligado a vários movimentos de vanguarda, sobretudo ao Surrealismo, e foi diretor, encenador, professor de teatro, pintor, ceramista, escritor, ensaísta… Foi também incluído por JS nas Líricas Portuguesas. Além de sempre o mencionar nos textos em que focaliza o Surrealismo, JS, ao saber de seu falecimento, dedicou-lhe um extenso artigo-necrológio, que hoje integra os Estudos de Literatura Portuguesa I.

[*] Revista Metamorfoses 11.2. Lisboa/Rio de Janeiro, Caminho/Cátedra Jorge de Sena-UFRJ, 2011, p. 115-121.

 

 

O mais recente trabalho acadêmico brasileiro sobre Jorge de Sena

No dia 19 de março p.p. foi defendida na Universidade Federal Fluminense (UFF) a dissertação de Mestrado Trabalhadores do século XX em poemas de Jorge de Sena, tendo Beatriz Helena Souza da Cruz como autora e Luis Maffei como Orientador. Numcorpus de 10 poemas selecionados, são observadas as “diferentes situações de trabalhadores inseridos no Capitalismo, notadamente ambientados no século XX, bem como a ausência de emprego e suas consequências”.

Sob tema afim, ver colaboração da autora no nosso Ler Jorge de Sena.