21. De Babel rumo a Sião: a crítica camoniana antes e depois de Jorge de Sena

Luiz Fernando de Moraes Barros

Talvez a melhor maneira de iniciar um levantamento sobre a crítica camoniana seja a partir de uma citação de Jorge de Sena sobre o estado da questão anterior ao seu ensaio sobre a revelação da dialética amorosa nos versos do Poeta. Diz o critico no texto O fantasma de Camões, que integra a obra O Reino da Estupidez II:

 

A bibliografia camoniana é tão vasta, tão ilegível, tão idiota, tão fantástica, tão ridícula, que é perfeitamente desculpável fazer com inocência o que tantos já fizeram por cálculo: repetir o que já foi dito. E o caso é que – e valha-nos a Santa Dialética – onde tudo foi dito, as probabilidades são muito grandes em favor de não se ter dito nada2.

 

Talvez essas palavras de Jorge de Sena sejam o mais lúcido testemunho sobre a crítica camoniana no século XX, fundamentalmente no tocante à compreensão da natureza amatória expressa na obra de Camões. Será, pois, a partir desses dois recortes – o tema do Amor e os estudos do século passado – que buscarei traçar um caminho entre Babel e Sião: entre a estultice das análises já realizadas e a compreensão clara apresentada por um dos mais importantes camonistas de todos os tempos. E se assim procedo, ancorado no século XX, é porque compreendo que somente a partir da edição de 1932 (a chamada Fase Moderna dos estudos camonianos3) observaremos o início de uma discussão entre camonistas em torno da exegese amorosa na obra do Poeta ou a tentativa de formular uma teoria amatória depreendida de seus textos. Entretanto, como tentarei mostrar, as diferentes considerações dos estudiosos aproximaram-se de uma espécie de Babel crítica, de onde emergiram muita fantasia e pouca coerência.

Minha proposta é realizar um percurso rumo a Sião, considerando esse locus como o lugar de lucidez apontado por Jorge de Sena ao sinalizar a dialética amorosa em Camões. Comecemos.

Baseados nos estudos de Storck e de Carolina Michaëlis de Vasconcelos, em 1932 José Maria Rodrigues e Afonso Lopes Vieira fazem publicar sua Lírica de Camões, uma edição crítica – conforme indicado na página da folha de rosto – ainda que no sentido rigoroso e atual da expressão não possa ser assim considerada4. Tomando como ponto de partida RH (1595) e RI (1598), expurgaram 248 textos do universo camoniano5, acrescentando com lucidez que dado o estado em que se encontram o magno problema da Lírica, […] alguma ou algumas composições hajam ainda de ser retiradas ou tenham de vir a ser admitidas6.

O que nos interessa, entretanto, na edição de 1932 é a formulação do que ficou conhecido como a tese da Infanta D. Maria, e a partir da qual os editores agruparam os poemas de Camões. No prefácio da edição, podemos ler que

 

Para os editores do presente volume da Lírica de Camões é, pois, convicção inabalável que a pessoa que inspirou, ou a quem foram dirigidas, tantas e tão principais composições do Poeta, se identifica como a Infanta D. Maria, ilustre filha de el-rei D. Manuel I de Portugal.

 

Acreditando que a biografia do poeta poderia oferecer importantes subsídios para a leitura de seus textos, os editores de 32 buscaram em composições camonianas a mulher particular e corpórea que teria servido a Camões como inspiração, já que o gênio do Poeta ala-se do facto que observou ou sentiu; necessita organicamente dos veros motivos para florescer e se expandir7.

E recorrem à própria poesia como o lugar em que o poeta assume-se enquanto homem de carne e sentido (Canção IV) e que, portanto, não fala senão verdades puras (Soneto 19)8Não apenas tomam por base de análise textos contestáveis9, mas também penetram no suposto íntimo do poeta como se seus escritos fossem o retrato de sua vida10.

Se Dante já havia utilizado como matéria poética a história de um verdadeiro amor em Vita Nuova, e se Petrarca também o fizera nos Cancioneiros, estaria Camões, ao lado destes modelos, assumindo uma posição “anti-metafísica” de sua idealização amorosa? Assim pensavam os prefaciadores da edição. Afinal, em suas palavras,

 

se acaso surgisse a idéia hiper-crítica de que o Poeta, nas composições em que acentua a impossibilidade do seu amor, se dirige a um ser idealizado, o próprio Camões viria depor contra a interpretação de que a sua Musa fosse metafísica e não humana11.

 

porque

 

Camões nos parece, entre os poetas, o menos idôneo para inventar ou dissimular emoções, e assim é por magnífica fatalidade do seu ser essencial, por especial conformação da própria alma, para a dor da qual o Poeta encontrou esta expressão de supremo realismo espiritual – “alma em carne viva”12.

 

Para Rodrigues e Vieira, a idealização camoniana jamais se perde no indefinido metafísico e, negando o mito Naterciano já criticado por Storck, os editores passaram a buscar a identidade da mulher por Camões amada, apoiados na crença de que do espírito da Lírica se colhe (…) a inspiradora de quási totalidade de seus versos amorosos, que foi só uma, pelo menos a dos versos principais.

Utilizando o soneto 37, cujo incipit é Leda serenidade deleitosa, Rodrigues e Vieira traçam um paralelo entre a figura desenhada poeticamente por Camões e o retrato de D. Maria desenhado ao natural por Gregório Lopes. Recorrem, para confirmar a tese anti-metafísica, à análise da fisionomia da Infanta feita pelo crítico de arte Dr. José de Figueiredo, a pedido dos editores. O resultado do estudo fisionômico foi diretamente confrontado com a pintura camoniana, aproximando o discurso do crítico e o do poeta como se poesia e crítica adotassem uma mesma postura discursiva.

 

D. Maria, por Gregório Lopes

D. Maria, por Gregório Lopes

Para Rodrigues e Vieira, o especialista, que não tinha [o soneto] na lembrança ao redigir seu comentário, havia revelado no retrato da Infanta elementos significativos também presentes no soneto 37, o que confirmava a formulação (im)precisa de que a musa primeira do Poeta fosse mesmo D. Maria. Afinal poucas vezes haverão assim ajustado sobre o mesmo objecto, e a tamanha distância, as impressões de um poeta e os comentários de um crítico, de tal modo que as expressões são paralelas13.

Para além do fato de estarem lidando, mais uma vez, com um texto de insuficiente prova de autoria camoniana14, os dois estudiosos procuram confirmar a tese a partir de Sôbolos rios…, evidenciando – por já terem determinado a cousa amada do Poeta – que os impulsos da carne e do espírito são opostos em radical contraste. Não há, portanto, para os editores, a tensão dialética entre estas duas instâncias:

 

Para confirmar esta interpretação anti-metafísica da sua idealização amorosa, é ainda o próprio Camões quem nos elucida, em Babel e Sião, única das suas composições em que as noções neo-platónicas vivamente se acentuam. Nesta maravilhosa rapsódia do salmo Super flumina Babylonis, em que os elementos autobiográficos se desenvolvem enleando-se aos versículos bíblicos, claramente se aparta o humano do divino. Aí se vê como estes dois temas, o da terrena lembrança da mulher amada e o da nostalgia da pátria celeste, longe de se confundirem, são postos em contraste.15

 

António Sérgio, como reação à tese da Infanta e, portanto, como voz divergente na questão da anti-metafísica amorosa em Camões, publica um artigo16 em que defende claramente uma teoria platonizante do amor, negando a existência da mulher corpórea nas linhas do poeta. A apresentação de uma dama nomeada como responsável pelos lamentos líricos, mesmo que já houvesse pairado o mito Naterciano por sobre a obra de Camões, apresentou-se imediatamente como polêmica17, e os editores de 32 sabiam disto porquanto já diziam que a inabalável convicção dos editores do presente volume da Lírica de Camões não busca, porém, impor-se aos leitores deste Livro. E parecem encerrar a questão apresentando o hipotético como possibilidade de ordenar a desorganizada obra do Poeta, pois afirmam que uma tentativa de ordenação, ainda quando se funde numa hipótese, é sempre preferível à desordem, à ausência de guiadora luz de plano ou método18Sigamos, ao contrário, não a hipótese, mas o método bem guiado.

Dirá Sérgio, colocando-se diretamente contra os prefaciadores de 32, que a autêntica senhora é a que está na alma – não simplesmente reflectida nela, mas verdadeiramente criada por ela, e consubstancial com ela (não é a Senhora que se reflecte na Alma, mas o Amor que se reflecte na Dama)19.

Em seguida, apresenta sua leitura do Amor na lírica camoniana identificando um profundo acento platonizante que, em sua função, apresentaria como objeto do amor o próprio Amor:

 

Como idéia no meu próprio intelecto a Semidea é um acidente na minha alma: e o Amor uma aspiração do meu espírito, essencialmente anterior ao objecto amado e independente dele. Melhor: essencialmente sou eu a aspiração amante, a qual anda buscando pelos seres amados uma forma sensível que a represente ou em que reverbere. Para Camões a verdadeira Beatriz nunca é corpórea: está no pensamento como idéia. O verdadeiro amor é o amor do Amor; amamos o amor, gostamos de amar, e através dos objectos em que reverbera o Amor é necessário que se mantenha como amor do amor. Tinha-o a minha alma antes de conhecer a amada, e eternamente o conservará em si20.

 

Para Sérgio, Camões não tivera uma única amada sobre a qual pudesse recair uma possibilidade ordenadora de sua obra, mas teria amado várias damas e empregado o mesmo caráter psicológico e o mesmo tom moral a todas elas, dado que o objeto da afeição não se situasse na mulher amada, mas, anterior a ela, se localizasse no próprio Amor.

A poesia feita de carne e sentidos, proposta na edição de 32 e negada por António Sérgio, volta a ter lugar nas páginas críticas, agora de António José Saraiva21 que, sem retornar à fantasiosa tese da Infanta, apresenta o Poeta como um sujeito que tece a contradição entre os amores profano e espiritual. Camões desenvolveria, portanto, esta dupla concepção de amor na lírica enquanto opções discursivas, mas apresentando-as fundamentalmente sob a égide da contradição, da tensão entre os opostos. Para Saraiva, o poeta não opta entre uma ou outra pulsão, mas revela uma oposição profunda entre os pólos onde, de um lado, figura Laura, símbolo do mais idealizado Amor, e, do outro, de cunho mais terreno e carnal, aquele representado por Vênus, cuja explosão indicativa estaria no episódio da Ilha dos Amores:

 

A tensão camoniana entre a espiritualidade e a carnalidade, entre Laura e Vênus, situa num terreno concreto a tensão humana existente entre os objectos imediatos, finitos e definidos, a que tende o comportamento instintivo, e os objectos de comportamento consciente… Dentro da concepção do mundo em que o nosso Poeta se formou, a mulher ora aparecia, em estilo cortês medieval e neoplatónico, como suserana distante ou mensageira dos Céus, ora, de um modo mais naturalista, como presa de caça nos jardins de Vênus.22

 

Desse modo, haveria para o crítico, na Lírica de Camões, a exibição de um sujeito cindido pelos opostos do mundo e dos sentimentos. Contudo, a cisão do Poeta ainda não é observada pela articulação dialética entre os pólos em detrimento de uma tensão que é feita não pelo diálogo, mas pela simples dicotomia. Afirmará, portanto, que há uma oposição profunda entre as duas idéias da lírica: Laura e Vênus (…) e que a poesia de Camões acha-se partida pelo meio23. É, pois, a defesa da contradição metaforizada por Camões como poesia, embora Saraiva observe, em sua apreciação sobre o amor, que, por vezes, são visíveis certos fundos de uma conversão recíproca entre os dois opostos, um esboço da própria marcha de dois pés, o pé do real e o pé do ideal24.

Hernani Cidade, em seu Luís de Camões – O Lírico, parece concordar com a contradição apresentada por Saraiva, colocando-se claramente contra a posição dos prefaciadores de 32, embora admita que a poesia de Camões é uma daquelas em que mais estremecem comoções pessoalmente vividas, e contra António Sérgio que, pelo viés do platonismo, buscava apenas a Beatriz incorpórea:

 

…o Poeta, ao contrário do que pensavam os prefaciadores da Lírica (ed. de 1932) ultrapassou de muito longe o homem sensorial, preso à realidade concreta dos amores vividos: foi capaz de teorizar metafisicamente a sua experiência sentimental. Nós, porém, continuamos a interpretar a doutrina teorizada quanto possível ao pé das realidades vividas, persuadidos de que é ele próprio que nos leva a sentir, aristotelicamente, uma Beatriz corpórea a provocar o sonho altíssimo da Beatriz incorpórea (…) Se não erramos, a Beatriz não está no pensamento como idéia, senão porque existe na realidade como objecto de desejo; assim, é simultaneamente corpórea e incorpórea. 25

 

Ainda tratando os diferentes impulsos amatórios como pólos dicotômicos, contraditórios em essência e aí entendido o valor poético, Cidade discorre sobre o conflito carne e espírito na lírica com a lucidez de um socrático:

 

Mas não é, afinal, este conflito entre a carne e o espírito, este desejar, como a grave pedra, o centro da natureza, opondo-se, a cada passo, ao esforço ascensional da alma platônica, não é isto que constitui a fonte principal do interesse dramático da poesia, o interesse que lhe junta, ao encanto da perfeição estética, à atitude da concepção metafísica, a emoção da verdade vivida – e vivida simultaneamente pela inteligência, pelo sentimento e pelos sentidos?

 

Jorge de Sena será o primeiro a abordar as “polaridades” não como contraditórias, mas a partir da relação dialética entre elas, derrubando a dicotômica interpretação bi-polar26. Só a partir daí osestados contraditórios do cânone modelar petrarquista abrem lugar para o estado da incerteza27, tão camoniano e tão Maneirista. Tal focalização dialética coloca em pauta, necessariamente, o platonismo em Camões, decantado brilhantemente por ele, e decantado estultamente por muitos estudiosos28E Sena aborda a questão ao lado da obra Diálogos de Amor, de Leão Hebreu, a mais elevada expressão do neoplatonismo renascentista, como forma de avaliar em termos epocais o platonismo camoniano.

 

Na obra de Leão de Hebreu encontramos, levadas plotinianamente até ao amor recíproco de “suma formosura divina” e de uma “baixa e finita mente humana”, a mesma subtil dialéctica do amor e do desejo, que, em Camões como noutros poetas da Renascença, se complica de já moribundo petrarquismo, e a mesma ascensão purificadora de um conhecimento que se vai tornando contemplação […] Todavia, digamos francamente que o platonismo camoniano interrompe-se onde o cristianismo, ou mais exactamente o catolicismo escolástico,introduz as noções da graça e da revelação29.

 

Semelhante leitura fará Azevedo Filho, pois afirma que há, nas canções de Camões, bem como no restante de sua obra, sempre uma dupla referência, uma fálica e outra mística. Mas o fálico, não raro, é simples via de acesso ao místico, em cara atitude neo-platonizante, filtrada pela ascese cristã30.

Em texto posterior, Sena volta a explicar a relação dialética entre os diferentes impulsos amatórios nos versos do poeta, apresentando aos leitores de Camões, em erudita lucidez, a grandiosidade daquele que registrou, com pena e engenho, a inquietante transformação de um impulso no outro, afastando-se do Renascimento, já esvaído em essência, e do Barroco, período ainda a haver:

 

Em 1948, apresentei, numa conferência, a proposta de compreender-se o cerne do pensamento de Camões, em termos da dialéctica hegeliana, pela qual poderíamos talvez melhor ver como Camões não está interessado nas idéias em si, mas em analisar o modo como elas se transformam umas nas outras […] tudo isso define Camões como um dos primeiros porta-vozes, que ele é, da sua época, uma época que não é o Renascimento já impossível, nem o Barroco que vai surgir, mas o Maneirismo que durou mais ou menos dos meados do século XVI ao fim do primeiro quartel do século XVII31.

 

Sena buscara o que na obra camoniana havia de original e não o circunstancial de seus aspectos32, oferecendo uma leitura sempre a apontar para a afirmação do período maneirista (quando os protótipos literários oferecidos pela tradição petrarquista começam a perder os contornos33), e para a dialética do desejo em Camões34, quando Laura, ainda que mantenha os atributos espiritualizantes, é descrita tanto com parâmetros tão díspares que chegam a encerrar uma quase inconciliabilidade, quanto através de traços atenuados, próprios de quem, com sua existência (mesmo que no pensamento como idéia), é capaz de fazer com que o outro se sinta perdido, conforme nos revela, por exemplo, o personagem Júpiter, na comédia camoniana Os Enfatriões.

Como se pôde perceber, a obra de Camões – a partir dos estudos senianos – ganhou o relevo merecido trazido pela revelação da dialética amorosa. Depois de seu artigo incontornável, que abre o primeiro volume dos Trinta anos de Camões, a crítica camoniana jamais retornou à questão para lhe apresentar outra possibilidade de leitura. Chegamos em Sião e é de lá que Jorge de Sena, nos acenando, desconstruiu fantasiosas hipóteses e desarticulou supostas contradições. Os leitores de Camões, que até então estavam andando em bravo mar, perdido o lenho, puderam, enfim, ancorar com segurança.

 

BIBLIOGRAFIA:

AZEVEDO FILHO, Leodegário de A.. Lírica de Camões,vol 1, 2 (tomos I e II) e 3. Lisboa: Imprensa Nacional/Casa da Moeda, s/d,

CIDADE, Hernani Luís de Camões, O Lírico, Lisboa: Editorial Presença, s/d

CUNHA, Maria Helena Ribeiro da A dialéctica do desejo em Camões. Lisboa : Imp. Nac.-Casa da Moeda, 1989

MARNOTO, Rita. O Petrarquismo português do Renascimento ao Maneirismo. Acta Universitatis Conimbrigensis, por ordem da Universidade de Coimbra, 1997

RODRIGUES, José Maria e VIEIRA, Afonso Lopes Lírica de Camões Imprensa da Universidade de Coimbra, 1932

SARAIVA, A.J. e LOPES, O. História da literatura portuguesa. Rio de Janeiro: Cia. Brasileira de Publicações, 1969

SARAIVA, António José. Luís de Camões. Lisboa: Gradiva, 1977

SENA, Jorge de “O Fantasma de Camões” In: O Reino da Estupidez – II, Lisboa: Edições 70, 1984

SENA, Jorge de Trinta anos de Camões vol 1 e 2, Lisboa: edições 70, 1980

SÉRGIO, António. “Questão prévia dum ignorante aos prefaciadores da Lírica de Camões” In:Ensaios tomo IV. Lisboa: Sá da Costa, 1981.

 

Luiz Fernando de Moraes Barros é Doutor em Literatura Portuguesa pela UFRJ. Atualmente é coordenador de Códigos e Linguagens da Escola SESC de Ensino Médio.

2[1] SENA, Jorge de “O Fantasma de Camões” In: O Reino da Estupidez – II, Lisboa: Edições 70, 1984

3[1] Cf AZEVEDO FILHO, Lírica de Camões, vol1.

4 [1]Baseados sempre em critérios subjetivos, sem muita consistência metodológica, os editores de 1932 sujeitaram cada texto ao tríplice critério de qualidade da linguagem, do significado psicológico e do valor intrínseco (p.XXX), além de não se preocuparem, mesmo expurgando textos, com a investigação autoral ou textual, pois reproduziram cópias servis do texto de Faria e Souza, claramente emendado em relação a lições anteriores.

5[1] Seguindo Agostinho de Campos que, em 1923, começa a imprimir em seu Camões Lírico a investigação que iniciaria o processo de sístole do então monumental corpus camoniano.

6[1] RODRIGUES, José Maria e VIEIRA, Afonso Lopes Lírica de Camões Imprensa da Universidade de Coimbra, 1932, p. XXVIII

7[1] Idem, ibidem, p. VI

8[1] A numeração utilizada é sempre a do editor em questão (RODRIGUES, José Maria e VIEIRA, Afonso LopesLírica de Camões Imprensa da Universidade de Coimbra, 1932)

9[1] A canção utilizada como argumento não é, dentre as três de incipit semelhante, a autêntica, e sim uma variante apócrifa da ed. de 1860-69. O soneto em questão tem autoria controvertida (já que no cancioneiro de Fernandes Tomás figura como sendo de Soropita), embora o soneto Emquanto quis Fortuna que tivesse,texto com quatro testemunhos quinhentistas a favor do Poeta, sem contestabilidade, também traga o sentido da lição apontada pelos editores nos tercetos (…Quando lerdes / num breve livro casos tão diversos, / verdades puras são…)

10[1] Não estamos afirmando que seja impossível retirar elementos da biografia do poeta a partir de seus textos. A canção Vinde cá, meu tão certo secretário, considerada por muitos como uma canção autobiográfica, parece de fato guardar recordações da vida de Camões. Entretanto, como já havia dito Storck sobre esta canção, o poeta escreveu como poeta e namorado, indicando que devemos procurar mais poesia do que biografia no texto.

11[1] Idem, ibidem, p. VIII

12[1] Idem, ibidem, p. VI

13[1] Idem, ibidem, p. XVII

14[1] O soneto Leda serenidade deleitosa apresenta duplo testemunho quinhentista de autoria camoniana incontroversa (MA: manuscrito apenso a um exemplar das Rhythmas; e RI), mas não encontra apoio em outro manuscrito que não seja MA.

15[1] Idem, ibidem, p. VIII-IX

16[1] SÉRGIO, António. “Questão prévia dum ignorante aos prefaciadores da Lírica de Camões” In: Ensaios. Lisboa: Sá da Costa, 1981. tomo IV.

17[1] A reação de António Sérgio ganhava eco na de outros estudiosos como Jorge de Sena, que em “Camões revisitado” In: Trinta anos de Camões II, p.242, afirma que “em matéria de crítica literária o padre e o poeta estavam apenas interessados em provar a absurda e ridícula tese da paixão de Camões pela Infanta D. Maria, a filha de D. Manuel I. E a nenhum destes editores ocorreu a idéia de que Camões, como poeta lírico, pudesse ser compreendido como muito mais que um mavioso conquistador de grandes damas, usando desvergonhadamente, para possuí-las, de todos os artifícios petrarquistas em moda no seu tempo.”

18[1] Idem, ibidem, p.XXVII

19[1] Idem, ibidem p. 39 (grifos nossos)

20[1] Idem, ibidem p..40

21[1] SARAIVA, António José. Luís de Camões. Lisboa: Gradiva, 1977.

22[1] SARAIVA, A.J. e LOPES, O. História da literatura portuguesa. Rio de Janeiro: Cia. Brasileira de Publicações, 1969, p.321-322

23[1] SARAIVA, 1977, p. 67

24[1] SARAIVA, 1969

25[1] CIDADE, Hernani Luís de Camões, O Lírico, Lisboa: Editorial Presença, p. 182-3. Lembremos também os versos de Babel e Sião: “E faz que este natural / Amor, que tanto se preza,/ Suba da sombra ao real,/ Da particular beleza/ Para a Beleza geral.”

26[1] O andamento dialético característico da poesia camoniana foi posto em relevo por Jorge de Sena no texto “A poesia de Camões, ensaio de revelação da dialéctica camoniana” In: Trinta anos de Camões Vol 1, Lisboa: edições 70, 1980.

27[1] Cf. MARNOTO, Rita. O Petrarquismo português do Renascimento ao Maneirismo. Acta Universitatis Conimbrigensis, por ordem da Universidade de Coimbra, 1997.

28[1] SENA, idem, p. 26

29[1] Idem, ibidem.

30[1] AZEVEDO FILHO, Leodegário de A.. Lírica de Camões,vol 3. Lisboa: Imprensa Nacional/Casa da Moeda, s/d, Canções, p. 426

31[1] SENA, Jorge de “Camões revisitado”, in: Trinta anos de Camões vol2, Lisboa: edições 70, 1980, p. 246-247

32[1] SENA, Jorge de “Ensaio da revelação” , in: Trinta anos de Camões vol1, Lisboa: edições 70, 1980, p. 15

33[1] “A partir de 1520, mas sobretudo após o saque de Roma (Carlos V, 1527), o Renascimento entrou em crise, por força da própria crise religiosa, política e econômica da época. Nas artes em geral, sem esquecer a literatura, abriu-se então espaço para o entrelugar do Maneirismo (…) [que] prolongou e distorceu as linhas de força do Renascimento, como a lírica de Camões claramente nos revela” AZEVEDO FILHO, sonetos II, p. 523-524

34[1] ver também CUNHA, Maria Helena Ribeiro da A dialéctica do desejo em Camões. Lisboa: Imp. Nac.-Casa da Moeda, 1989