A Bordo da Sagres: o cadete Jorge de Sena e a viagem do Navio-Escola

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Bastante atípica, não faltaram peripécias na viagem do navio-escola Sagres que se estendeu de outubro de 1937 a março de 1938, na qual se encontrava o cadete Jorge de Sena. As cartas enviadas a seus pais na altura (lidas por seus superiores antes da postagem?), a par do registro factual, mostram o cuidado do jovem de 18 anos em prevenir a família sobre o pior que poderia acontecer — e infelizmente aconteceu. Complementando o conteúdo dessas cartas, escritas na viagem que mudou o rumo da vida de Jorge de Sena, Mécia nos traz algumas achegas, ouvidas de seu marido.

 

 

 

 

“Sagres”, 10 de Outubro de 1937
S. Vicente de Cabo Verde, 11 de Outubro de 1937

Minha querida Mãe

Escrevo-lhe hoje porque amanhã de manhã chegamos a S. Vicente de Cabo Verde depois de 10 dias de viagem que dá muito trabalho mas passa depressa. Vamos fazer um cruzeiro enorme – o maior que a “Sagres” até hoje fez – Cabo Verde, Brasil, ilha de S.ta Helena, Angola, S. Tomé, Dakar, Madeira (tudo pouco mais ou menos) e entretanto em Lisboa vão andando daqui para ali ou percorrendo o corredor para trás e para diante. Espero que a Mamã e o Papá tenham passado bem de saúde e de paz assim como todos na casa desde a Cassilda ao canário passando pelo papagaio e as baratas; a propósito de baratas – cá a bordo começam a aparecer em grande número mas de tipo muito simpático: castanhas e pequenas.

A Avozinha e o Padrinho e a mais família têm passado bem como espero? O Padrinho sempre faz a operação que estava marcada para este mês? Estou convencido que nada acontecerá. Parece que vamos estar até 2 ou 3 de Novembro no dito arquipélago de que me têm dito coisas medonhas: uma terra seca e escalvada onde nem a fruta se deve comer. Agora que estou a escrever tenho a impressão que embarquei ontem, quando não parece-me que foi há muito e por vezes esquece-me a extensão do tempo. O que lhe digo é que a bordo de um navio não se tem a noção exacta da distância a que se está da terra donde se partiu – parece que está próximo e ninguém nos pode tirar a sensação dessa pouca distância nem mesmo ver num mapa ou num contador as milhas andadas; quem pode pensar numa casca de noz, que em relação ao horizonte parece estar sempre no mesmo sítio, ter já andado cerca de 1500 milhas? Temos andado umas vezes à vela outras a motor. O calor a bordo é grande mas quando os motores vão a funcionar, os nossos alojamentos são destilações perfeitas. Não se pode imaginar a temperatura espantosa que existe dentro do navio. É de encharcar toda a roupa. Bem entendido agora – isto é para o Papá também – que se não me engano nesta altura já está a ruminar a minha “má educação” por não ter dedicado o frontispício da carta à sua pessoa. Feitas estas considerações gerais passo a falar de mim e da minha vida aqui. Tenho bastante maçada. O horário é o que vou dizer: levantar às 6; tomar café e lavar até às 7; às 7 vamos fazer a baldeação com escovas, vassouras e baldes – isto até às 8 (a baldeação puxa um bocado mas tem graça e sabe bem porque é cedinho); às 8 toma-se banho e vestimo-nos para a 1a. instrução, às 8 h 45 m e que acaba às 10; toca então a mudar de fato para embandeirar em arco com o fato de passeio para o almoço às 10 h 30 m; às 12 h instruções até às 3 h menos ¼ para lancharmos às três; depois temos outro tempo de instrução até às 5; descansamos até ao jantar (6 horas e meia) e depois deitamo-nos cerca das 9 horas – tudo isto acompanhado sempre da mudança de fatiota respectiva. Este horário foi só até hoje – amanhã entra outro mais apertado em que o levantar é às 5 h 30 m. Em todo caso gosto disto; é uma vida muito interessante e segundo me disse outro dia um oficial: “o pior tempo é o de cadete e esta viagem”. Mas tudo passa rapidamente. Sinto-me bem graças a Deus e até me dizem que estou mais gordo, no que não creio. Não sei se sabe o digníssimo Ministro da Marinha veio despedir-se de nós, ofereceu-nos a Vida de Nun’Álvares de Oliveira Martins e tirou connosco um retrato que deve ter vindo nos jornais. Procurem obtê-lo porque sempre tem interesse.

A propósito de jornal: cá a bordo quase todos os dias afixam um noticiário que se obtém pela telegrafia – talvez conseguíssemos ouvir telefonia se a tivéssemos em termos – mas os oficiais é que a possuem e na nossa câmara há só um alto-falante ligado à sala deles e que por tal sinal funciona negativamente. Quando saiu do navio o tenente Paiva foi falar ao automóvel. Que tal o achou a Mamã? Vou agora dizer para o Papá saber as instruções que temos tido: infantaria, nomenclatura de armas portáteis, prumo e barca, embarcações miúdas, marinharia, nomenclatura do navio e agora que vamos chegar a Cabo Verde começarão as instruções de remo e vela. Além destas ainda há sinais e deveres militares. A natação não começa por causa dalgum tubarão distraído do caminho e segundo parece o delegado da Escola Naval – o tenente Norberto que é o nosso principal instrutor, tem intenção de ensinar em Cabo Verde a jogar o ténis a quem não sabe. Agora vou falar um pouco dos acontecimentos mais notáveis da navegação. No dia 4 passaram por nós duas tartarugas – nunca tinha visto coisa assim como sabe e achei muita graça em vê-las a nadar muito descansadamente. Ia eu a entrar pelo diário dentro e esquecia-me de descrever a partida propriamente dita. Quando saímos da doca como viu tirei algumas fotografias e como aqui a bordo não se pode revelar desconfio muito da minha perícia nessas e nos três rolos de películas que já gastei até à data. Os rapazes estavam na ponta da ponte giratória quando a “Sagres” passou. Fomos rebocados até ao meio do rio e daí andamos a motor até S. José da Ribamar onde fundeámos. Devem a Mamã e o Papá saber tudo isto pelos jornais que com certeza falaram disto. Chegámos a S. José às 15 h e partimos no dia seguinte às 15 h depois do Ministro ter partido. Passámos diante das diversas praias conhecidas, diante de Sto. Amaro e saímos a barra. Estava, não sei se também em Lisboa, um vento fortíssimo e à saída tivemos um bocado de balanço; descemos do convés, viemos lanchar e eis senão quando o navio dá um balanço tão grande que toda a louça se vira na mesa, a chávena que eu tinha segura na mão entorna o chá por cima de mim e um de nós vai de escantilhão até à extremidade do alojamento e volta de rastos pelo chão para debaixo da mesa – e isto em baixo; em cima um oficial caiu no convés e andou de rebolão juntamente com outras pessoas e coisas. Foi um assombro que rasgou a vela grande, partiu frascos de tinta, remédios, etc. O balanço grande manteve-se e tornou a manter-se até perdermos de vista o cabo Espichel e de noite continuou; depois foi diminuindo progressivamente até que no dia 5 o mar já estava calmo e agora quase chão. No balanço grande o navio deu a sua inclinação máxima – 46o – e nunca balançou tanto na opinião de velhos marinheiros a bordo. Eu não enjoei – não é próprio de mim, de ascendência tão aquática o enjoar – mas no dia 2 vomitei três vezes sem mais nem menos: uma ao ver vomitar outro, a segunda logo a seguir e a terceira depois do jantar, ao deitar: vi o alojamento cheio de gente deitada, um balanço que fazia andar os baldes dos enjoados e botas e tudo num fandango desenfreado que não podia deixar de ser. O mar indispôs toda a gente, o que não podia deixar de ser dada a altura dos vagalhões. Eu nem tive medo, embora tivesse calculado que o mar não devia ser sempre assim. De então para cá temos tido as nossas instruções e baldeações. Tem passado por nós vários barcos uns ao longe, outros perto e destes uns delicados e outros malcriados – quer dizer que uns cumprimentam e outros fazem como um possivelmente inglês mas que se calhar era socapa que passou chegado a nós sem se ver viva alma a bordo.

Passámos no dia 6 à vista da ilha de Palma das Canárias e por nós têm passado bandos e bandos de peixes voadores que têm uma graça enorme.

Estou a escrever-lhe a umas linhas para cá de S. Vicente de Cabo Verde onde chegámos depois de termos passado o canal entre esta ilha e Sto. Antão. Nunca vi na minha vida coisa tão escalvada como estas aprazíveis ilhas. Nem se faz ideia. Ontem topamos com um bando de baleotes que o navio cercou para o Comandante dar uns tirinhos. E é tudo. As noites têm sido lindíssimas como nunca se vêem em terra assim como o pôr do Sol e eu gosto desta vida de ar livre que levamos aqui. Escrevi agora uma das maiores cartas da minha curta vida e nela vai além destas rápidas impressões, porque o tempo urge, um mar enorme de saudades em troca daquelas que eu sei vegetam aí em casa.
Peço que dêem notícias minhas a todas as pessoas porque hoje não devo escrever a mais ninguém e não o fazendo esta carta chega primeiro.
Saudades a todos e um grande abraço do vosso filho muito amigo que nunca os esquece e vos pede a benção querida,

Jorge

 


S. Vicente de Cabo Verde, 1 de Novembro de 1937

Minha querida Mãe

Esta carta de hoje é resposta a uma resposta. Fiquei muito satisfeito por ver que o Papá e a Mamã tinham gostado da carta que receberam. Estiveram então a ver a “Sagres” ao longe e gostaram das linhas, hein? Quando receberem esta carta já sabem por telegrama que vou amanhã para Santos. O Comandante chegou ontem num navio da “Blue Itao Line” que à tarde fomos ver. Fomos buscar o Comandante com um cerimonial medonho: canoa para ele, gasolina onde iam os oficiais, 2 baleeiras connosco e 2 escaleres com guarnição. Tive de entrar logo no navio para apresentar cumprimentos ao Comandante em nome dos cadetes. À volta os barcos formaram cortejo e cá na “Sagres” houve “Portos de Honra” ao comandante oferecidos pelos sargentos e por nós. Tanto num como noutro tive de fazer discurso. Imaginem! Temos ido a uma hipótese de carreira de tiro que existe em terra e classifiquei-me regularmente. Para quem nunca tinha apanhado coice de maior não é nada mau. Agora que já fiz um relatório é muito difícil dizer alguma coisa de novo em todo o caso… Temos tido instrução de vela; 2 lições e uma passeata duma tarde inteira na baía. Num dos 1.os dias vi a bandeirola dum tubarão e no passeio vi nitidamente passar alguns metros abaixo do barco um peixe-martelo.

Dêem notícias minhas às mais variadas pessoas: Sr. Mota, Sr. Faria, aí no r/c., etc. porque eu não posso escrever a toda a gente.

Recebi outra carta da Avozinha e outra do Padrinho a que vou responder agora.

Saudades, beijos e um grande abraço do vosso filho muito amigo que vos pede a bênção;

Jorge

 


Santos, 25 de Nov. de 1937

Meus queridos Pais

Cheguei a Santos no dia 22 mas hoje há, como vêem, correio rápido e aproveitei para mandar mais notícias do que as míseras e mesquinhas dum telegrama. A viagem decorreu menos mal e passámos pertíssimo do Rio que achei uma cidade fantástica e onde não nos deixam ir nem de avião. Contudo os oficias vão lá. Cá, meus queridos Pais, ao contrário do que eu pensava, existe uma extraordinária disciplina de funil.

Santos é uma cidade pouco bonita, onde tivemos uma desconsolada recepção ao contrário do que podem por aí vir a saber. Devo ir a S. Paulo um dia destes e segundo me dizem esta cidade é boa.

Demoramo-nos cá até ao dia 1 de Dezembro. Espero que aí em casa tenham passado bem de saúde e em boa paz. A Mamã dê notícias minhas à Avozinha e mais família e pessoas conhecidas. À Avozinha escreverei no próximo avião. Neste não pude.

Tive aqui no dia da chegada 24 h de serviço de guarda – uma maçada que me fez andar no virote (o 1o. dia é o das visitas oficiais) e que me fez dormir vestido e mal a noite toda. Não recebi notícias ainda, facto que estranhei muito. Na passagem do Equador tomei banho por ordem do Rei dos Mares. Uma patetice a que se acha piada à falta de melhor.

Procurarei no próximo avião escrever ao Padrinho. Espero que o Padrinho tenha passado melhor e que a Família toda esteja bem.

Muitas saudades e beijos do vosso filho muito amigo que os abraça e lhes pede a bênção,

Jorge

P. S. Parto no dia 1 para Angola.

 


Dakar, 12 de Fevereiro de 1938

Minha querida Mãe

Escrevo-lhe de Dakar onde o navio veio em lugar de voltar a Cabo Verde.

Vamos daqui directos para Lisboa e poucos dias faltam para nos tornarmos a ver. Depois de Luanda onde visitei a Sra. D. Castorina, o navio arribou a S. Tomé onde estivemos poucas horas e donde não escrevi. Mesmo que de lá tivesse escrito esta carta chega primeiro, e mais, chega primeiro que eu.

Tenho andado bem de saúde e espero continuar do mesmo modo até Lisboa. O fim que motiva a rapidez que desejo imprimir a esta carta é bem outro e passo a expô-lo. Agora no fim da viagem reúne cá a bordo o conselho de oficiais para de nós informar a escola. Isto fez-se sempre e dentro de certos limites nunca prejudicou ninguém. Mas agora há aqui o tenente Norberto que veio connosco. Tem a mania que é muito recto, etc., e é uma pessoa terrível. Não pode a Mamã imaginar certas coisas que ele faz. É totalmente diverso de todas as informações que possa haver dele. Diz ele que eu sou incontestavelmente superior a todos os outros em inteligência, não possuo contudo espírito militar; quer baseado nisto alterar a classificação do curso e até já disse que proporia ao conselho a minha exclusão para eu concorrer outra vez e poder assim fazer mais uma viagem de 5 meses.

Ora estes factos não vêm no Regulamento. Ele quer propô-los ao Ministro à chegada de Lisboa. Não é de modo algum justo o que ele quer fazer. Faço isto de comunicar para aí isto para que, sem alarmes e sem dizer nada a ninguém, se acautelem e preparem o terreno para estes golpes lhe falharem. Quer aplicar aqui – numa viagem em que nada sabemos do ofício – o critério dos tirocínios dos guarda-marinhas. Dar uma nota na prova de mar e tirar a média sem a nota que temos de média das cadeiras da Faculdade. A viagem é essencialmente diferente e a aplicação do critério agora em que nenhum deu provas escolares levá-lo-ia a pôr em primeiros lugares certas pessoas que ele lá entende. Que a classificação seja alterada depois de um ano de escola está certo mas já é uma injustiça. Para bem observarem conto um dos últimos feitos: deu a cada um de nós uma lista do curso para cada um ordenar os camaradas segundo o conceito que fazemos uns dos outros. É a maior infâmia e falta de camaradagem que se pode imaginar. Todos ficámos indignados mas não tivemos senão remédio de o fazer.

Ficam pois aí em Lisboa prevenidos e com tempo para agir.

Recomendo que não se aflijam e encarem a situação com calma mexendo os cordéis que forem necessários. Eu gosto desta vida. Somente com este oficial junto é que não se pode fazer nada.

Espero que estejam bem e recebam muitas saudades e um grande abraço do filho muito amigo que espera beijá-los e pessoalmente pedir-lhes a bênção dentro em pouco,

Jorge

P.S. Não se apoquentem como é vosso costume. Vejam a quem dizem e a quem mostram esta carta se é que venha a haver necessidade disso. Para verem bem como o tenente é fiquem sabendo que na Escola Naval antes de ele embarcar lhe chamavam Zuca.

Muitos beijos e abraços do
Jorge.
 

 

Sobre a viagem e a exclusão, alguns dados que, segundo Mécia de Sena, devem ser considerados:

=> Meu marido era o aluno mais jovem do curso (fez 18 anos a bordo) e era, de longe, o mais classificado. Após as provas de ingresso, meus sogros foram chamados à Escola Naval, para lhes ser dito que as provas indicavam que aquele candidato tinha a capacidade de "génio". E no mesmo nível de classificação se manteve até o fim.

=> A viagem foi uma das mais longas e mais tormentosas da Sagres, atingida que foi por um temporal que a fez dirigir-se para o Lobito onde o navio ancorou para ser devidamente reparado dos tremendos danos que sofrera, enquanto os alunos foram de comboio para Luanda, onde depois reembarcaram.

=> O Instrutor fora treinado na Alemanha, de onde regressara um ou dois anos antes.
=> Os serviços de bordo, como lavar o convés, não eram trabalhos que fizessem parte da instrução dos cadetes — foi uma das maneiras de humilhação que o Instrutor usou. Assim, por exemplo, os cadetes não tinham funções determinadas quando o navio estava fundeado, mas meu marido e outros não viram Santos no primeiro dia em que chegaram, porque o Instrutor os pôs a fazer serviço de sentinela.

=> O Instrutor aplicava-se a fazer os mais perigosos exercícios sempre que havia balanço ou temporal. Num desses exercícios, meu marido escorregou do mastro grande e salvou-se porque um marinheiro o apanhou no trajeto e com ele agarrado desceu até ao convés, onde o colocou. Os marinheiros fizeram nesse dia um "levantamento de rancho" em protesto pelo tratamento que estava sendo dado aos cadetes.

=> O outro "levantamento de rancho" ocorreu quando um marinheiro foi levado do convés para o mar por uma enorme vaga e nunca mais apareceu — o que foi tomado como descaso pela vida dos marinheiros.

=> De resto, leia-se a conversa que está transcrita no conto colocado em Cabo Verde [ "Duas medalhas imperiais com Atlântico"- ANAD], e que meu marido ouviu, e ficará claro de que gente se tratava.

=> A demissão de quatro cadetes, no final, foi caso inaudito — nunca tinha acontecido e creio não voltou a acontecer. O Instrutor… fez apenas uma viagem mais, em que, salvo erro, morreu um cadete, ao que se dizia, por deficiente tratamento.

=> Curioso será de notar que, pondo de lado o meu marido, cujo pai não o deixou ingressar na Marinha Mercante (embora ele dela fosse comandante, na altura já aposentado por invalidez — tinha perdido uma perna, em virtude de um pequeno acidente complicado com o facto de ser diabético) por entender que era "descer" de categoria, outro foi para o Exército, carreira que lhe durou toda a vida; um outro foi para a Marinha Mercante, onde foi imensamente conceituado; e um outro passou para o Exército nas mesmas funções… Como se vê… eram todos muito subversivos…

=> Tanto quanto sei, o ambiente da viagem era péssimo — infelizmente meu marido não viveu o suficiente para escrever as páginas de memórias que sempre tencionou escrever.

* in: Diários. Porto: Caixotim, 2004.